Brasília – A Polícia Federal comunicou nesta quarta-feira (20) a rejeição da proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e preso preventivamente na Operação Compliance Zero. A negativa foi repassada à defesa do empresário, que fez o pedido em 6 de maio.
Ainda que a PF tenha descartado o acordo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém a prerrogativa de analisar o material entregue e decidir se dá continuidade às negociações.
Prisão e tentativas de negociação
Vorcaro foi detido em 4 de março, durante a terceira fase da investigação, após a PF apontar a existência de um esquema particular dedicado a monitorar e intimidar adversários. Inicialmente levado ao Complexo Penitenciário de Potim (SP), o banqueiro acabou transferido para a Penitenciária Federal em Brasília.
Com o avanço das tratativas para colaboração, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou em 19 de abril a remoção de Vorcaro para a Superintendência da PF na capital. Ali, ele chegou a ocupar a sala de Estado-Maior que já abrigara o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas voltou à carceragem comum na última segunda-feira (18), movimento interpretado como sinal de que a delação não prosperaria.
Nova fase sem citar senador
Um dia após a entrega da proposta de acordo, em 7 de maio, a PF deflagrou a quinta fase da Compliance Zero, que teve como alvo principal o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo apuração da própria investigação, o parlamentar não foi mencionado por Vorcaro no documento apresentado.
Nessa etapa também foi preso temporariamente Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, capturado em Trancoso (BA) após tentar fugir em um carrinho de golfe durante diligência policial.
Prisão do pai e suspeitas ampliadas
Em 14 de maio, a sexta fase da operação resultou na detenção de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel. O foco passou a ser a suposta intimidação de desafetos por um grupo apelidado de “A Turma” e a ocultação de patrimônio ligada ao fundo de investimentos Reag.
Com a rejeição formal da delação pela Polícia Federal, a defesa de Daniel Vorcaro aguarda agora posicionamento da PGR sobre a possibilidade de um eventual acordo.
Com informações de Gazeta do Povo