Brasília – O acordo de colaboração premiada buscado por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entrou em estado crítico depois de a Polícia Federal (PF) classificar como superficial o material entregue pela defesa. O impasse resultou na transferência do investigado, na segunda-feira (18), de uma sala especial com ar-condicionado e frigobar para uma cela comum na Superintendência da PF na capital federal.
Segundo investigadores, Vorcaro teria omitido nomes de alto escalão – entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – além de apresentar provas já conhecidas pelas autoridades, sem acrescentar fatos inéditos.
Pressão financeira e familiar
O cerco apertou depois que o pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso na operação Compliance Zero. A PF acredita que o esquema bilionário de fraudes continuou ativo mesmo após a primeira detenção de Daniel, com participação direta do patriarca.
Para validar a delação, o Ministério Público e a PF exigem a devolução de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões desviados. Vorcaro tem pressa: busca garantir cerca de R$ 40 bilhões mantidos em paraísos fiscais por terceiros e teme que os valores desapareçam.
Risco de presídio federal
Sem apresentar elementos novos e robustos, o ex-banqueiro pode perder os benefícios de redução de pena. Caso o acordo seja recusado, ele deverá ser encaminhado ao Centro de Detenção Provisória, a Papudinha, ou retornar ao sistema penitenciário federal, onde o regime de segurança é mais rígido e o isolamento, maior.
Com informações de Gazeta do Povo