Beirute – O Hezbollah e seus principais aliados políticos anunciaram neste sábado (27) que não aceitarão o acordo firmado na véspera, em Washington, entre Israel e o governo libanês, mediado pelos Estados Unidos. O entendimento prevê a retirada gradual de militares israelenses de duas áreas no sul do Líbano, mas preserva o direito de Israel lançar operações de autodefesa sempre que considerar haver ameaça.
Em comunicado, o movimento xiita Amal, principal parceiro político do Hezbollah, classificou o texto como “desequilibrado” e rechaçou qualquer negociação direta com Israel. Segundo o grupo, o documento “entrancha realidades em favor do inimigo às custas do interesse nacional” e coloca em risco a soberania libanesa.
Pelo Hezbollah, o deputado Hassan Fadallah pediu que Beirute recue das tratativas e “das decisões tomadas contra o povo libanês”. Outra organização contrária ao pacto, o Grupo Islâmico do Líbano – de maioria sunita e com braço armado –, declarou que só apoiaria um acordo que assegurasse “soberania plena” e a retirada israelense de todos os territórios ocupados.
Acordo sob mediação dos EUA
Assinado na sexta-feira (26), o texto foi apresentado em Washington com apoio do Departamento de Estado norte-americano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o entendimento “representa um duro golpe” para Irã e Hezbollah, ao reconhecer o direito de Israel manter uma zona de segurança enquanto houver risco na fronteira.
Em coletiva no sábado, Netanyahu exibiu um mapa indicando as duas áreas próximas à cidade de Nabatieh das quais suas forças devem se retirar. O recuo, porém, ficará condicionado ao desarmamento de milícias e ao desmantelamento de suas estruturas, referência indireta ao Hezbollah.
Conflitos continuam no sul do Líbano
Horas depois da coletiva, as Forças de Defesa de Israel bombardearam a região de Nabatieh. Segundo o Exército israelense, o alvo representava “ameaça imediata” às tropas posicionadas na fronteira.
O vice-chefe do Hezbollah, Naim Qassem, reagiu chamando o pacto de “humilhação” e “renúncia à soberania”. Ele prometeu que o grupo continuará “por todos os meios necessários” a pressionar pela retirada completa de Israel do território libanês.
Com a resistência de Hezbollah, Amal e outras facções armadas, o futuro do acordo permanece incerto, enquanto confrontos esporádicos seguem sendo registrados no sul do Líbano.
Com informações de Gazeta do Povo