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Fraternidade São Pio X recusa excomunhão decretada pelo Vaticano e afirma que sanção é “injusta”

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Roma – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) declarou não reconhecer a excomunhão imposta pelo Vaticano após a ordenação de quatro novos bispos sem mandato pontifício em 1.º de julho. Em carta divulgada em 3 de julho e dirigida ao papa Leão XIV, o superior-geral da fraternidade, padre Davide Pagliarani, classificou a medida como “objetivamente injusta e inválida”.

A decisão do Dicastério para a Doutrina da Fé de excomungar os envolvidos ocorreu um dia depois de o pontífice ter advertido o grupo, em 30 de junho, para que não cometesse “um ato cismático”. Mesmo assim, os bispos Alfonso de Galarreta (Espanha) e Bernard Fellay (Suíça) participaram da consagração dos padres Pascal Schreiber (Suíça), Michael Goldade (Estados Unidos), Michel Poinsinet de Sivry (França) e Marc Hanappier (França).

“Medida extrema para salvar almas”

No documento ao papa, Pagliarani afirmou que a ordenação sem autorização foi “uma medida extrema para salvar almas, em meio à confusão doutrinária e moral em que a Igreja se encontra”. Segundo ele, o objetivo da fraternidade “não é substituir a Igreja, mas permanecer fiel a ela”.

Inspirando-se no Evangelho de Lucas (11, 11-13), o sacerdote recorreu às imagens de pão, peixe e ovo para dizer que a FSSPX recebeu, em troca, “uma pedra, uma serpente e um escorpião”. Apesar da rejeição às sanções, assegurou que o grupo não age “com amargura ou rebelião” e espera que, “um dia”, o pontífice ou um sucessor “abrace o programa de São Pio X: restaurar todas as coisas em Cristo”.

Antecedentes

Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a FSSPX mantém a liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e contesta pontos do concílio sobre ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade. Lefebvre foi excomungado em 1988 ao ordenar, sem aval do então papa João Paulo II, quatro bispos: de Galarreta, Fellay, Richard Williamson e Bernard Tissier de Mallerais.

Em 2009, o papa Bento XVI suspendeu as excomunhões desses quatro prelados como gesto de aproximação. Williamson morreu em 2025 e Tissier de Mallerais, em 2024; já de Galarreta e Fellay voltaram a ser punidos pelo decreto de 2026.

Durante o Jubileu da Misericórdia de 2016, o papa Francisco reconheceu a validade e licitude das confissões realizadas por sacerdotes da fraternidade, permissão posteriormente estendida, mas as conversas para uma regularização plena não avançaram.

Com informações de Gazeta do Povo