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Estados Unidos rotulam PCC e Comando Vermelho como terroristas e ampliam arsenal contra facções brasileiras

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O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (28) a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida, comunicada pelo secretário de Estado Marco Rubio, passa a valer em 5 de junho e ativa um conjunto de instrumentos legais que vai de bloqueio de ativos a possíveis operações militares.

Consequências imediatas

Pela legislação norte-americana, fornecer “apoio material” aos grupos — dinheiro, equipamentos, transporte ou treinamento — torna-se crime federal. Bancos sediados nos EUA deverão congelar valores suspeitos e informar o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Integrantes ou representantes das facções também se tornam inadmissíveis no território americano e podem ser deportados.

Pressão sobre as finanças das facções

Para o consultor de riscos Nelson Ricardo Fernandes, o impacto mais rápido será sentido no caixa das organizações. “O PCC depende de uma rede financeira que sustente tráfico de drogas e compra de armas no exterior. A designação permite rastrear e interromper esses fluxos”, explica. O estrategista internacional Cezar Roedel acrescenta que o desligamento das facções do sistema bancário internacional pode atingir empresas e parceiros ligados a elas.

Influência política e apoio interno

A decisão foi anunciada um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, reunir-se com Rubio e com o vice-presidente J. D. Vance na Casa Branca. Nas redes sociais, o parlamentar celebrou: “Vamos dar um basta nesses grupos! O Brasil merece ter paz!”.

Precedentes para ação militar

Nos últimos anos, Washington usou a mesma classificação para justificar operações contra grupos na América Latina. Em 2025, após rotular o Tren de Aragua e o Cartel de Los Soles como terroristas, o Comando Sul lançou a Operação Southern Spear no Caribe, que contou com o porta-aviões USS Gerald R. Ford, drones MQ-9 Reaper e mais de 10 mil militares, resultando em 52 ataques a embarcações suspeitas e 178 mortos. A ofensiva culminou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Em março deste ano, Estados Unidos e Equador bombardearam um acampamento de dissidentes das Farc na fronteira dos dois países; no México, inteligência norte-americana ajudou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación — também listado como terrorista.

Preocupação do governo Lula

No Brasil, o Palácio do Planalto vê a medida com cautela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou não ter tratado do assunto em encontro recente com Donald Trump e teme reflexos negativos no turismo e no mercado financeiro, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Já o assessor especial Celso Amorim classificou como “inaceitável” qualquer intervenção na segurança pública brasileira sem consentimento prévio.

A professora Denilde Holzhacker, da ESPM, avalia que o histórico recente de Washington justifica o receio de Brasília: “Sanções financeiras, ações de inteligência e missões militares vêm sendo empregadas como estratégia contra grupos rotulados como terroristas”. O criminólogo Flávio Bortolozzi Junior, da Universidade Positivo, observa que a designação “tecnicamente legitima” uma intervenção caso os EUA aleguem combater o terrorismo.

Próximos passos

Analistas estimam que a Casa Branca observe o cenário eleitoral brasileiro antes de adotar medidas mais incisivas. Enquanto isso, PCC e CV passam a compor uma lista com mais de 90 entidades, ao lado de Al-Qaeda, Estado Islâmico, Hezbollah e Hamas.

O desfecho dependerá, segundo especialistas, da capacidade do governo brasileiro de articular mecanismos de cooperação ou, no mínimo, insistir em ser informado sobre qualquer iniciativa norte-americana em solo nacional.

Com informações de Gazeta do Povo