O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passarão a integrar, em 5 de junho de 2026, a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida foi motivada por investigações que apontam colaboração das duas quadrilhas com o grupo xiita libanês Hezbollah na região da Tríplice Fronteira.
Como surgiu a aliança
De acordo com autoridades norte-americanas, o vínculo entre criminosos brasileiros e o Hezbollah remonta a 2006. Na época, o PCC teria oferecido proteção a presos libaneses em penitenciárias do Brasil e, em contrapartida, recebeu apoio para contrabando de armas e cigarros, além de serviços de lavagem de dinheiro. Antes disso, o CV, liderado por Fernandinho Beira-Mar, já mantinha contatos com integrantes do grupo libanês.
Papel da Tríplice Fronteira
A área que reúne Brasil, Argentina e Paraguai é classificada por Washington como ponto de convergência entre crime organizado e extremismo desde a década de 1990. A fronteira de fiscalização reduzida e a expressiva comunidade de origem libanesa facilitam, segundo os EUA, operações financeiras destinadas a bancar ações do Hezbollah fora do Oriente Médio.
Consequências da designação
Com o novo status, PCC e CV estarão sujeitos às mesmas sanções impostas a grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico. A legislação norte-americana prevê congelamento de bens e contas vinculadas às facções, além da proibição de qualquer tipo de apoio financeiro ou logístico por pessoas ou empresas sob jurisdição dos EUA. Instituições bancárias de outros países também deverão monitorar e relatar movimentações suspeitas relacionadas aos dois grupos.
Interferência política
A inclusão das facções na lista ganhou velocidade após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitar formalmente a classificação em encontros com o então presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington. O Departamento de Estado, contudo, declarou que a decisão é técnica e se baseia em atividades criminosas do PCC e do CV já identificadas em pelo menos 12 estados norte-americanos.
Reação do governo brasileiro
O presidente Lula criticou a iniciativa e chamou Flávio Bolsonaro de “traidor”. Segundo o Palácio do Planalto, rotular as facções como terroristas pode abrir caminho para eventuais intervenções dos EUA no território brasileiro sob o argumento de combate ao terrorismo. Itamaraty e Ministério da Fazenda também manifestaram temor de que o novo enquadramento prejudique o turismo e afaste investimentos estrangeiros.
As sanções entram em vigor em 5 de junho de 2026, data a partir da qual quaisquer transações ligadas às facções serão bloqueadas por bancos que operam com o sistema financeiro norte-americano.
Com informações de Gazeta do Povo