Brasília e Washington – A relação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump entrou em seu ponto mais delicado em abril de 2026, após uma sequência de represálias diplomáticas, críticas públicas e novas barreiras comerciais.
Expulsões recíprocas desencadeiam a crise
O estopim ocorreu quando Washington expulsou o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, acusado de manipular o sistema migratório norte-americano para prender o ex-deputado Alexandre Ramagem. Em resposta, o Palácio do Planalto aplicou o princípio da reciprocidade e retirou as credenciais de um adido da agência de imigração dos EUA (ICE) que atuava em Brasília.
Acusações de censura e perseguição política
Parlamentares republicanos e órgãos do governo norte-americano divulgaram documentos em que apontam supostos atos de censura no Brasil. Relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA classificou medidas do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como “guerra jurídica” contra opositores, posição que gerou “sérias preocupações” no Departamento de Estado.
Pressão comercial
Desde a volta de Trump à Casa Branca, produtos brasileiros enfrentam tarifa extra de 50% para entrar nos EUA. Embora as sobretaxas sobre carne e café tenham sido suspensas temporariamente para conter a inflação americana, novas investigações sobre o Pix e pirataria mantêm o clima de incerteza entre exportadores.
Sanções da Lei Magnitsky
A Lei Magnitsky Global foi usada em 2025 para impor sanções financeiras e restrições de visto ao ministro Alexandre de Moraes e à esposa dele; as punições foram retiradas em dezembro. Recentemente, vistos de ex-integrantes do governo Dilma Rousseff também foram revogados, reacendendo a tensão.
Risco de ruptura é visto como limitado
Analistas ouvidos por ambos os governos avaliam ser improvável um rompimento total, dada a interdependência econômica. O cenário descrito é de “contenção pragmática”, com previsão de intensificação dos embates retóricos no curto prazo enquanto o Planalto reforça o discurso de soberania e setores da oposição brasileira buscam apoio externo.
Com informações de Gazeta do Povo