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Gilmar Mendes reage a investidas políticas, isenta STF de escândalo financeiro e ataca abuso de imunidade

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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa da Corte na madrugada de 23 de abril de 2026, durante entrevista em Brasília. Ele rebateu pedidos de impeachment de ministros, negou qualquer vínculo do tribunal com o caso Banco Master e criticou parlamentares que, segundo ele, extrapolam os limites da imunidade prevista na Constituição.

Banco Master “é assunto da Faria Lima”, diz ministro

Questionado sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, Mendes afirmou que a crise “pertence ao mercado financeiro da Avenida Faria Lima, em São Paulo” e não tem relação com o STF. Para o ministro, a responsabilidade pela apuração cabe “aos órgãos de supervisão, especialmente o Banco Central”, que devem avaliar eventual risco sistêmico.

Limites da palavra no Congresso em debate

O magistrado destacou que o Supremo analisa até onde vai a imunidade de deputados e senadores. Segundo ele, há parlamentares que “usam o mandato para xingar agentes públicos ou atacar instituições”, confundindo liberdade de expressão com abuso de autoridade. A discussão no plenário, afirmou, busca definir quando a fala política está protegida e quando configura ofensa passível de sanção.

Alvo de ironias: Zema e outros críticos

Ao comentar declarações do governador mineiro Romeu Zema, Mendes ironizou: “Às vezes parece um dialeto estrangeiro”. Ele sugeriu que a Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes analisem as falas de Zema no âmbito de investigações sobre notícias falsas, “pelo menos na parte inteligível”. O decano também direcionou críticas ao senador Alessandro Vieira, sem citar detalhes, classificando certos ataques ao STF como “tentativas de intimidação”.

Pandemia e comparação com Jim Jones

Mendes defendeu as decisões do tribunal durante a pandemia de covid-19, sustentando que o STF “protegeu vidas e instituições” ao conter políticas que considerou temerárias do então presidente Jair Bolsonaro. Ele comparou a postura de Bolsonaro ao líder de seita Jim Jones, responsável por um massacre em 1978, e disse que, sem intervenção judicial, “a matança teria sido maior”.

Impeachment virou “ferramenta banal”, afirma decano

Sobre os múltiplos pedidos de impeachment contra ministros, Mendes avaliou que a medida se transformou em “instrumento de palanque eleitoral” e não surte efeito prático. Ele também rejeitou a elaboração de um código de ética externo para o Judiciário, alegando que o próprio STF promove ajustes internos necessários.

O ministro concluiu que ataques à Corte “não prosperam” e reafirmou que o Supremo seguirá debatendo a responsabilidade de agentes públicos, “sempre dentro dos parâmetros constitucionais”.

Com informações de Gazeta do Povo