Brasília, 17 de julho de 2026 – O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação imediata de uma tarifa de 25% sobre mais de 70% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. A medida, divulgada pelo presidente Donald Trump, foi atribuída pelo secretário de Estado Marco Rubio à “falta de boa-fé nas negociações” e ao “ego pessoal” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Críticas de empresários e analistas
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota lamentando a decisão e apontando “ruídos diplomáticos desnecessários” e “desalinhamento político com Washington” como causas do novo imposto de importação. O escritor Francisco Escorsim avaliou que Lula “colocou o Brasil em uma briga inútil contra os Estados Unidos”, consolidando, segundo ele, a rejeição norte-americana ao governo petista.
Escorsim acrescentou que o Palácio do Planalto transformou o tema em disputa eleitoral ao colocar a família Bolsonaro no centro do debate. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou a Washington na tentativa de evitar o tarifaço, iniciativa que, segundo o comentarista, o Executivo federal deixou de tomar.
Decisões do STF entram na justificativa americana
O Departamento de Comércio dos EUA citou ainda determinações do Supremo Tribunal Federal, em especial do ministro Alexandre de Moraes, que teriam imposto restrições a plataformas de tecnologia norte-americanas como X, Meta e Google. Para os norte-americanos, as ordens judiciais configurariam censura e afetariam a confiança no ambiente de negócios brasileiro.
A advogada Fabiana Barroso afirmou ser “inviável” defender as decisões de Moraes, classificando-as como extrapolação de competência. Já o jurista e historiador Enio Viterbo disse que várias ordens foram expedidas sem publicidade, contrariando, em sua visão, a nota oficial divulgada pelo STF.
Resposta do Supremo
Em comunicado assinado pelo ministro Edson Fachin, o Supremo Tribunal Federal declarou que todas as suas decisões são públicas, fundamentadas e tomadas “exclusivamente por força da Constituição da República Federativa do Brasil”.
O anúncio do tarifaço repercutiu durante o programa Última Análise, transmitido ao vivo no YouTube pela Gazeta do Povo na noite de quinta-feira (16). O debate reuniu convidados para discutir impactos políticos e econômicos da nova tarifa sobre a balança comercial brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo