Abuja (Nigéria), 17 jul. 2026 – O cardeal John Onaiyekan afirmou que a administração do presidente Bola Tinubu não tem justificativa para a escalada de sequestros no país. Segundo o líder religioso, acampamentos de criminosos continuam operando livremente, evidenciando, em sua visão, a omissão das autoridades.
“O crime nem deveria ocorrer”
Em declaração feita nesta semana, Onaiyekan classificou como “positivo, mas insuficiente” o recente resgate de um grupo de estudantes. Para ele, a operação não apaga o fato de que os raptos poderiam ter sido evitados se redes de sequestradores já tivessem sido desmanteladas. O cardeal ressaltou que muitos desses grupos mantêm bases fixas por longos períodos sem sofrer ação policial ou militar.
Centenas ainda em cativeiro
O religioso alertou que, enquanto o governo comemora operações pontuais, centenas de pessoas continuam sob poder de terroristas e bandos armados. “O verdadeiro progresso virá quando qualquer nigeriano puder viajar sem medo de ser sequestrado”, afirmou.
Trauma infantil
Onaiyekan demonstrou especial preocupação com vítimas de pouca idade — algumas com apenas dois anos — que passaram meses em cativeiro. Ele pediu programas de reabilitação e apoio psicossocial custeados pelo Estado para minimizar danos ao desenvolvimento dessas crianças.
Engajamento masculino na Igreja
O cardeal falou durante evento de comemoração dos 25 anos da Organização dos Homens Católicos da Nigéria, entidade criada com sua colaboração para incentivar a participação masculina na vida paroquial. Fundada a partir do exemplo de grupos femininos já existentes, a organização busca fortalecer valores familiares de integridade, amor e serviço.
Papel dos pais
Para Onaiyekan, a paternidade vai além do sustento material. Ele defendeu que os homens devam ser exemplos morais em casa, no trabalho e na comunidade. “Quando os pais lideram com fé e ética, ajudamos a construir uma Igreja mais sólida e uma Nigéria mais segura”, declarou.
O cardeal concluiu reiterando que a segurança pública é responsabilidade direta do governo federal e que a sociedade nigeriana não pode aceitar a atual “normalização” dos sequestros.
Com informações de Gazeta do Povo