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Entregadores de aplicativos rejeitam linha de crédito de Lula e relatam desgaste com o governo

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Brasília – 26/07/2026 – Líderes de entregadores de aplicativos afirmam que as recentes tentativas do governo Luiz Inácio Lula da Silva de atender à categoria, sobretudo por meio de linhas de crédito subsidiadas, não resolvem os problemas de baixa remuneração e ainda elevam o risco de endividamento. A insatisfação aumenta o distanciamento do segmento, que reúne cerca de 1,7 milhão de trabalhadores segundo o IBGE.

Crédito de R$ 4 bilhões começa com desconfiança

Principal aposta do Executivo para o setor, a linha de aproximadamente R$ 4 bilhões inserida no programa Move Brasil entra em operação em 27 de julho, após adiamento por entraves bancários. O financiamento, válido para motos e bicicletas elétricas, oferece prazo de até 48 meses e dois meses de carência.

Para Abel Santos, presidente da Associação dos Trabalhadores por Aplicativos e Motociclistas (Atam), o plano não alcança quem mais precisa trocar de veículo. “Muitos já chegam com restrição de crédito ou alto nível de dívida, o que dificulta a aprovação. O problema central continua sendo a remuneração baixa paga pelas plataformas”, afirma.

Experiência anterior aumenta o ceticismo

O descrédito se baseia no desempenho de outro programa lançado em maio: um fundo de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo. Segundo a Atam, dez profissionais com nome limpo testaram o sistema. Todos passaram pela triagem inicial, mas, nos bancos, receberam ofertas de no máximo 25% do valor do automóvel, inviabilizando a compra. “Se não funcionou para os motoristas, a expectativa para as motos é zero”, resume Abel.

Categoria vê viés eleitoral nas medidas

Alexandre Santos, que preside a Associação União Maior em Santa Catarina, classifica as ações como “eleitoreiras”. Ele critica o timing: “O diálogo existe desde o início do mandato, mas só agora, às vésperas do calendário eleitoral, surgem essas iniciativas”. Para o dirigente, crédito sem aumento de renda apenas amplia o endividamento.

Concorrência chinesa eleva ganhos, mas só por curto prazo

Representantes relatam que a entrada de novos aplicativos chineses inflou pagamentos em algumas cidades, mas o efeito é temporário. “É coisa de meses, às vezes nem isso”, diz Alexandre. Abel confirma que a 99, por exemplo, aumentou repasses nos três primeiros meses de operação e depois igualou valores ao iFood. Para ele, a sensação momentânea de alívio pode incentivar dívidas de longo prazo: “Ninguém pode contar com isso”.

Regulamentação travada agravou desgaste

A decepção começou com o grupo de trabalho criado por Lula para regulamentar o trabalho por aplicativo. A proposta empacou na Câmara, sobretudo pela discussão sobre uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega. Entregadores reclamam que o Planalto concentrou esforços nesse ponto, deixando de lado temas como piso salarial, jornada e proteção social.

Abel Santos avalia que a condução das negociações foi prejudicial: “O Lula sai horrivelmente desgastado”. Ele e outros representantes acusam o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, de instrumentalizar lideranças da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativo (Anea) em favor de interesses eleitorais.

O motofretista e ativista Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como “Paulo Galo”, antigo aliado de Boulos, também rompeu com o ministro e passou a criticá-lo publicamente.

Voto da categoria está em risco

Para a Atam, programas de crédito anunciados perto da campanha não serão suficientes para reverter a imagem negativa. “Se o governo depender do voto dos entregadores em um eventual segundo turno, não vai ter”, conclui Abel.

Com informações de Gazeta do Povo