A recente troca de farpas entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça está moldando o cenário eleitoral a menos de um mês do primeiro turno das eleições. Um levantamento da Datrix revelou que o tema gerou 1,14 milhão de publicações nas redes sociais em apenas quatro dias, refletindo as repercussões do caso do Banco Master.
De acordo com os dados, 49,5% das menções a Moraes estão ligadas às investigações sobre sua interação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Essa crise no Judiciário pode ter um impacto significativo na corrida pela presidência, favorecendo Flávio Bolsonaro (PL), especialmente após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, apesar das controvérsias em torno do financiamento do filme “Dark Horse”.
Moraes é visto como um adversário da família Bolsonaro, tendo sido o responsável pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. João Paulo Castro, diretor-executivo da Datrix, destacou que, embora o caso Master tenha um histórico negativo para Flávio Bolsonaro, o recente foco nas investigações sobre Moraes melhorou sua imagem em relação a Lula, que tem sido mais frequentemente associado ao ministro.
Castro também observou que a intensa repercussão do conflito entre Moraes e Mendonça desviou a atenção das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, que estavam concentradas na ascensão de outros candidatos, como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos. “Com a crise no STF dominando as redes, as discussões sobre propostas e planos de governo ficaram em segundo plano”, comentou.
Além disso, as manifestações pedindo o impeachment de ministros do STF no dia 7 de setembro, junto com o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, aumentaram a pressão sobre os candidatos. Castro acredita que Lula e Flávio terão que abordar a crise do STF em suas campanhas, principalmente à medida que a eleição se aproxima.
<p“A dinâmica das redes sociais está mudando a narrativa. Estamos vivendo um momento em que as propostas estão perdendo espaço para as discussões sobre os ministros do STF e os vazamentos do caso Master”, finalizou Castro.
Fonte: Gazeta Do Povo.