Brasília, 27 jul. 2026 – Parte dos entregadores de aplicativos declarou rompimento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após considerar insuficientes as propostas federais para a categoria. A tensão ganhou força depois do lançamento do programa Move Brasil, linha de crédito de R$ 4 bilhões para financiar motos e bicicletas elétricas, e do impasse na regulamentação do trabalho por aplicativo.
Crédito subsidiado não chega à maioria
O Move Brasil prevê juros reduzidos, carência e parcelamento em até 48 meses. Porém, lideranças do setor afirmam que grande parte dos trabalhadores possui dívidas ou restrições bancárias que impedem a aprovação do financiamento. A lembrança de um projeto-piloto semelhante para motoristas de aplicativo, no qual os bancos cobriram apenas 25% do valor do carro e nenhum profissional concluiu a compra, reforçou o ceticismo.
Regulamentação travada na Câmara
A proposta de criar uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega parou na Câmara dos Deputados. Entregadores dizem que o governo concentrou o debate no valor por corrida e na arrecadação do INSS, deixando de lado pontos como piso salarial, jornada e proteção social, o que gerou resistência de empresas e trabalhadores.
Desgaste com Guilherme Boulos
O ministro Guilherme Boulos, responsável por negociar com a categoria, também virou alvo de críticas. Representantes acusam o ministro de usar entidades de entregadores para fins eleitorais e de apresentar uma “narrativa única” nas conversas com o Executivo. O ativista Paulo Galo, antigo aliado, rompeu publicamente com Boulos.
Endividamento não resolve renda, dizem entregadores
Associações apontam que oferecer crédito sem mexer na remuneração paga por plataformas como iFood e 99 só aprofunda o endividamento. Eles lembram que o aumento temporário de ganhos provocado por novas empresas chinesas costuma durar pouco, tornando arriscado assumir prestações de longo prazo.
Sem avanço nas negociações e descrentes das linhas de financiamento, parte dos entregadores decidiu encerrar o diálogo com o Palácio do Planalto, mantendo a reivindicação central de maior pagamento por entrega.
Com informações de Gazeta do Povo