Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (29) mostra que 59% dos brasileiros consideram equivocada a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar em Brasília. Outros 36% avaliam que o despacho foi correto, enquanto 5% não souberam responder.
O instituto ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026.
Outros resultados
O mesmo levantamento indica que 59% dos entrevistados defendem a manutenção de Bolsonaro em prisão domiciliar; 35% são favoráveis à revogação do benefício e 6% não opinaram. Já a proibição de o ex-presidente usar redes sociais é aprovada por 62% dos participantes, enquanto 35% discordam da medida e 3% não têm posição.
Entre os eleitores que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022, 35% julgam que Moraes errou ao barrar as visitas de Flávio. No grupo que votou em Bolsonaro, 32% concordam que o ex-presidente deve continuar sem acesso às plataformas digitais.
Contexto da decisão
Em julho, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas presenciais de Flávio ao pai e proibiu, por 30 dias, que outros familiares entrem na residência. O ministro também vetou contatos de natureza política até as eleições de 2026 e impediu a divulgação de manifestos atribuídos a Bolsonaro.
A determinação foi tomada depois de o senador ler, em uma live no dia 11 de julho, uma carta do ex-presidente que o apresentava como “porta-voz” e possível candidato. Para Moraes, o episódio violou a ordem judicial que impede Bolsonaro de se comunicar nas redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Detido inicialmente na Superintendência da Polícia Federal no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, ele passou ao regime domiciliar por motivos de saúde.
Visitas de advogados, médicos e fisioterapeutas permanecem autorizadas. Apesar de estar listado como advogado no processo, Flávio Bolsonaro foi incluído nas restrições. A defesa do ex-presidente recorreu, argumentando que a medida extrapola a suspensão de direitos políticos e afeta a liberdade de pensamento.
A pesquisa foi concluída antes de o PL oficializar, em convenção realizada em 25 de julho, a candidatura de Flávio à Presidência da República, evento que exibiu um vídeo gerado por inteligência artificial com mensagem de apoio de Jair Bolsonaro.
Com informações de Gazeta do Povo