Brasília — O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu dedicar um monitoramento específico aos Correios no pacote de fiscalizações que mira nove estatais classificadas como risco fiscal. O presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo, informou que a situação financeira da empresa exige tratamento distinto do aplicado às demais companhias públicas.
A estatal de entregas registrou prejuízo superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, o maior rombo de sua história. A projeção é de que o valor aumente até o fim do ano, o que pode exigir aporte do Tesouro Nacional e a busca de um empréstimo de R$ 20 bilhões em bancos privados.
Três processos já em análise
Segundo Vital do Rêgo, os Correios acumulam três processos internos no TCU, além de três solicitações de acompanhamento encaminhadas pelo Congresso Nacional. “A empresa precisa de um olhar diferenciado”, declarou o ministro ao portal G1 na segunda-feira (8).
Força-tarefa ampliada
Em novembro, o tribunal formou uma força-tarefa para fiscalizar nove estatais: Correios, Casa da Moeda, Companhias Docas do Ceará, Pará, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, Empresa Gestora de Ativos (Emgea), Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e Infraero.
A equipe atuará em cinco frentes — gestão e inovação, desempenho financeiro, pessoal, contratações e tecnologia da informação — com o objetivo de ir além da análise de contas e avaliar também governança, eficiência operacional e qualidade da gestão.
Contexto fiscal
A criação da força-tarefa ocorreu logo após relatório do Tesouro Nacional apontar risco potencial de despesa de até R$ 5,1 trilhões para as contas públicas, em razão de dívidas de difícil recuperação e programas dependentes de reembolso, como o Fies.
Com informações de Gazeta do Povo