A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e põe fim à escala 6×1 pode provocar um salto de 5% a 11% no custo total de novos empreendimentos imobiliários no Brasil, segundo levantamento conjunto da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Margens apertadas e contratos já fechados
O setor calcula entre 800 mil e 1 milhão de unidades em construção com preços previamente estabelecidos. Como esses contratos não permitem repasse imediato de custos, qualquer aumento cairá diretamente sobre a rentabilidade das incorporadoras.
Habitação popular sob maior risco
No programa Minha Casa Minha Vida, onde os valores de venda são limitados pelos tetos da Caixa Econômica Federal, o impacto estimado chega a 10%. “O segmento econômico opera com margens muito reduzidas; um acréscimo dessa magnitude pode inviabilizar vários projetos”, afirma Nikolas Nissel, diretor de Real Estate da Quartzo Capital.
Cadeia produtiva pressionada
A pesquisa considera não só a mão de obra direta, mas também reflexos em materiais, serviços terceirizados e logística. O componente de trabalho do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumula alta de 8,9% em 12 meses, já superior à dos materiais.
Mais 288 mil trabalhadores seriam necessários
De acordo com a CBIC, o setor teria de contratar cerca de 288 mil novos profissionais para manter o atual nível de produtividade se a jornada for encurtada. A falta de mão de obra qualificada já dificulta os ganhos de eficiência e amplia a pressão sobre os custos.
Com juros elevados, inflação persistente e desaceleração nos lançamentos de padrão médio, construtoras e incorporadoras revisam planos de viabilidade, capital de giro e cronogramas à espera da definição do Congresso sobre a PEC.
Com informações de Gazeta do Povo