Home / Economia / Proposta que extingue escala 6×1 acende alerta para alta de custos em saúde, segurança e limpeza

Proposta que extingue escala 6×1 acende alerta para alta de custos em saúde, segurança e limpeza

ocrente 1783013670
Spread the love

Brasília — A Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala 6×1, em análise no Congresso Nacional, provocou mobilização de setores que operam de forma contínua. Entidades de saúde, segurança privada, limpeza e transporte calculam aumentos expressivos de despesas trabalhistas e preveem repasse direto aos consumidores.

Planos de saúde podem ficar mais caros

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) avalia que a mudança obrigará a reorganizar turnos e ampliar equipes para manter o atendimento. A entidade admite risco de que os gastos extras elevem o preço dos planos de saúde. “Custos trabalhistas mais elevados tendem a pressionar toda a cadeia da saúde”, afirma a Anahp.

Segurança e limpeza projetam aumento de 20%

Na segurança privada, cálculos da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) indicam 8,7 horas extras semanais por funcionário com o fim do 6×1. A conta: incremento de aproximadamente 20% nos custos, que deve ser incorporado aos contratos.

O mesmo porcentual é previsto pela Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac). O presidente da entidade, Edimilson Pereira, destaca impactos sobre a capacidade de investimento, possibilidade de aumento da informalidade e riscos ao emprego formal.

Logística fala em R$ 28 bilhões a mais

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) calcula que o setor de transporte e logística pode desembolsar até R$ 28 bilhões extras. A confederação aponta chance de atrasos nas entregas, perda de eficiência e fretes mais caros, em especial para cargas perecíveis e animais vivos.

Entidades veem efeito inflacionário

Para a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a PEC encarece o trabalho “por decreto” e deixa às empresas somente a saída de repassar os custos. Na prática, adverte a entidade, o trabalhador acaba arcando com a alta de preços.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode acrescentar até 6,2% na inflação geral e 5,7% nos alimentos. Entre contratações e horas extras, o impacto anual projetado pela CNI varia de R$ 178 bilhões a R$ 267 bilhões.

O texto da PEC foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio e agora aguarda votação no Senado. Até lá, as entidades pretendem manter a pressão para que parlamentares considerem os efeitos econômicos antes de alterar definitivamente a jornada dos trabalhadores.

Com informações de Gazeta do Povo