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Aporte externo atinge pico desde 2017, mas entraves internos ainda travam aceleração no Brasil

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São Paulo — O investimento direto de empresas estrangeiras no Brasil somou US$ 83,3 bilhões nos 12 meses encerrados em maio de 2026, o equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e o maior patamar desde 2017, de acordo com dados do Banco Central (BC).

O resultado representa alta de 5,2% frente aos 12 meses terminados em maio de 2025. Para os próximos anos, o boletim Focus divulgado em 22 de junho projeta entradas de US$ 78,3 bilhões em 2027 e de US$ 80 bilhões tanto em 2028 quanto em 2029.

Crescimento com barreiras domésticas

Apesar da expansão, economistas ouvidos apontam que a falta de previsibilidade regulatória, a complexidade tributária e a instabilidade jurídica limitam uma trajetória mais robusta dos aportes.

Para Jucélia Souza, sócia e economista da Siegen Consultoria, o fluxo atual demonstra uma “âncora externa relevante”, mas não há aceleração sem mudanças estruturais. Letícia Moschioni, sócia da Finscale, observa que o cenário internacional favorável “bate de frente” com entraves regulatórios locais, resultando em estabilidade, mas não em salto de investimentos.

O que mantém o Brasil no radar

Cássio Viana de Jesus, diretor da Pilar Capital, destaca que investidores valorizam regras claras e de longo prazo, independentemente de quem ocupa o Planalto. “O rótulo político pesa menos que a posição de Estado que o governante adota”, resume.

Fatores externos ajudam a manter o país atrativo. Patrícia Krause, economista-chefe para a América Latina da seguradora Coface, lembra que a distância do Brasil em relação a focos de tensão como Estados Unidos e China, aliada ao papel de grande fornecedor de commodities estratégicas, reduz riscos de ruptura nas cadeias de suprimentos.

O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, insumos essenciais para a transição energética e para aplicações eletrônicas e de defesa, mas ainda explora pouco esse potencial. A entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, apontada por Krause e por Moschioni como “divisor de águas”, também pode destravar aportes europeus ao oferecer maior segurança jurídica e acesso ampliado a mercados.

Enquanto isso, analistas concordam que reformas estruturais continuam sendo condição fundamental para que o Brasil transforme interesse em investimentos de longo prazo com ritmo mais acelerado.

Com informações de Gazeta do Povo