A Volkswagen estuda uma reestruturação considerada a maior de sua história, com potencial para eliminar até 100 mil empregos em todo o mundo. O plano, revelado pela revista alemã Manager Magazin e confirmado por Financial Times e Bloomberg, busca reduzir custos, sustentar a transição para veículos elétricos e conter a pressão de fabricantes chinesas como BYD e GWM.
Dimensão do ajuste
Se aprovado, o corte corresponderá a cerca de um sexto do quadro global do grupo, que reúne marcas como Volkswagen, Audi, Porsche, Škoda e Seat, configurando um dos maiores programas de demissão já vistos na indústria automobilística.
Em nota enviada à Reuters, a empresa não confirmou números, limitando-se a afirmar que “fatos relevantes serão discutidos e aprovados pelos órgãos competentes”. A direção reconheceu, entretanto, que o modelo de negócios atual “não funciona mais para todas as marcas em sua forma atual”.
Pressão sobre margens
No primeiro trimestre de 2026, o lucro operacional da Volkswagen recuou 14,3% em comparação anual, e a margem caiu de 3,7% para 3,3%. Segundo a companhia, o resultado foi afetado por custos de reestruturação, tarifas dos Estados Unidos e pela intensificação da concorrência chinesa.
Medidas em análise
De acordo com a Manager Magazin, o pacote inclui:
- possível fechamento ou redimensionamento de fábricas na Alemanha;
- simplificação do portfólio de produtos;
- programas de desligamento em grande escala.
A ofensiva chinesa também reduz a participação da Volkswagen no país asiático, que já respondeu por quase 40% de suas vendas globais e hoje perde espaço para marcas locais — movimento que impulsiona a revisão de custos e estratégia mundial.
Efeitos no Brasil
A disputa entre montadoras tradicionais e chinesas repercute no mercado brasileiro. A Camex prorrogou por seis meses a cota de importação sem imposto para veículos CKD e SKD, totalizando US$ 463 milhões, medida que beneficia principalmente a BYD. Levantamento da Anfavea indica risco de 69 mil empregos diretos e 227 mil indiretos caso a nacionalização de produção diminua.
No país, a Volkswagen tem trajetória diferente da europeia: aposta em híbridos flex abastecidos com etanol, alegando que a solução é mais adequada à infraestrutura de recarga ainda incipiente para elétricos puros.
Com informações de Gazeta do Povo