Brasília — Lançado nesta terça-feira (30), o Plano Safra 2026/2027 destinará R$ 610 bilhões ao crédito rural, porém representantes do agronegócio afirmam que o volume é insuficiente e inflado por fontes que não faziam parte dos cálculos anteriores.
Montante abaixo do pedido pelo setor
Do total anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), R$ 525,1 bilhões ficarão com a agricultura empresarial e R$ 84,9 bilhões com produtores familiares. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) havia solicitado R$ 670 bilhões, enquanto a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) sugeriu R$ 674 bilhões.
Recurso equalizado encolhe
Apenas R$ 97 bilhões dos valores para a agricultura empresarial contam com equalização do Tesouro, 14,7% menos que os R$ 113,8 bilhões liberados na safra passada. Nas operações de custeio e comercialização, o orçamento recuou de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, redução de 7,18%.
Juros mais altos
As taxas para grandes produtores foram fixadas em 12,5% ao ano. No Pronamp, que atende médios produtores, a taxa ficou em 9% ao ano. A Faep defendia teto de 10,5% e 7%, respectivamente. “Não passa de um número no papel se não houver condições adequadas de crédito”, declarou o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette.
Inclusão de novas fontes
O governo incorporou R$ 10 bilhões do programa Move Agricultura e R$ 28,5 bilhões do Ecoinvest Brasil na conta total de investimentos. Sem essas fontes, o volume empresarial cairia para R$ 486,6 bilhões, 5,7% abaixo do ciclo 2025/2026, o que, segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), descaracterizaria o recorde anunciado.
Efeito da inflação
Apesar de crescer nominais R$ 9 bilhões (1,7%), o orçamento encolhe em termos reais. Com a inflação acumulada em cerca de 4,4%, haveria uma perda estimada em R$ 13,6 bilhões no poder de compra do crédito, calcula a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil).
Participação das CPRs
Cerca de R$ 194 bilhões do novo Plano Safra advêm de Cédulas de Produto Rural (CPRs), impulsionadas pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que seguem isentas de Imposto de Renda após a Medida Provisória 1.303/2025 ter perdido validade no Congresso.
O Plano Safra 2026/2027 entra em vigor a partir de 1.º de julho, valendo até junho de 2027.
Com informações de Gazeta do Povo