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Irã impõe prazo de 60 dias para navegação gratuita no Estreito de Ormuz

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O Irã avisou que a isenção de taxas para embarcações que cruzarem o Estreito de Ormuz terá validade de apenas 60 dias, conforme o memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos no início de junho. O anúncio foi feito nesta terça-feira (30) pelo presidente do Parlamento e negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em entrevista à TV estatal.

Ghalibaf reiterou que Teerã “não abrirá mão de seus direitos” sobre a rota estratégica, responsável pelo escoamento de grande parte do petróleo e do gás do Golfo Pérsico. Segundo o negociador, o governo iraniano só discutirá novos temas depois que todas as cláusulas do acordo inicial forem aplicadas.

Trâmites no Catar

As conversas entre as partes ocorrem em Doha, capital do Catar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catariano, Majed al-Ansari, confirmou que a liberdade de navegação em Ormuz é um dos pontos centrais das discussões e disse que o país coordena o trânsito de navios com Omã.

Apesar da presença, em Doha, dos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, al-Ansari negou qualquer negociação direta entre delegações de Washington e Teerã. De acordo com ele, os representantes dos Estados Unidos conversam apenas com mediadores.

No lado iraniano, o porta-voz da diplomacia, Esmail Baghaei, enfatizou que a comitiva persa viajou ao Catar unicamente para tratar da liberação de ativos bloqueados, prevista no memorando, e que ainda não há tratativas sobre um acordo de paz definitivo.

Tensões recentes

O roteiro de 60 dias assinado no começo do mês prevê, entre outros pontos, medidas para encerrar o programa nuclear iraniano, aliviar sanções econômicas e garantir o livre trânsito em Ormuz. Nos últimos dias, porém, a região voltou a registrar ataques: o Irã atingiu navios na passagem, os EUA responderam com bombardeios na costa sul iraniana, e Teerã retaliou contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein.

Ghalibaf afirmou que o país “busca o diálogo”, mas alertou que o Irã está preparado para uma escalada militar caso o memorando não seja cumprido. “Responderemos de acordo”, declarou.

Com informações de Gazeta do Povo