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PL recua do voto impresso e propõe descentralizar totalização de votos já em 2026

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O Partido Liberal (PL) decidiu priorizar mudanças na apuração eleitoral e deixar o voto impresso em segundo plano nas eleições de outubro de 2026. A sigla prepara um pacote com ao menos oito sugestões que será entregue ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, nas próximas semanas.

Foco na totalização descentralizada

A principal proposta é retomar o modelo em que a contagem dos votos ocorria primeiro nos estados para, só depois, ser consolidada nacionalmente. Hoje, a totalização é centralizada no TSE. Segundo o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), o sistema regional serviria como “cópia de segurança” e reduziria o risco de ataques cibernéticos.

Especialistas divergem sobre a viabilidade da mudança. A advogada Fernanda Esteves, da Comissão Especial de Direito Eleitoral da OAB/SP, avalia que o procedimento pode ser alterado por resolução do tribunal. Já o advogado Roosevelt Arraes entende que seria necessário mudar a legislação, o que dificultaria a adoção imediata.

Zonas eleitorais sob influência criminosa

Outro ponto do documento prevê a revisão de locais de votação situados em áreas controladas por facções criminosas ou milícias, principalmente no Rio de Janeiro. A legenda defende a transferência dessas seções para regiões com maior presença do Estado, a fim de coibir possíveis pressões sobre eleitores. A Justiça Eleitoral, segundo especialistas, pode realocar zonas desde que observe prazos e garantias de acesso ao voto.

Voto impresso segue na pauta, mas para o futuro

Embora concentre esforços nas mudanças consideradas factíveis para 2026, o PL afirma que não abandonou o voto impresso. Cavalcante declarou que a ideia será retomada no Congresso caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, vença a disputa. A implantação imediata foi descartada por falta de tempo e verbas.

A defesa do comprovante físico de voto ganhou força entre bolsonaristas após 2018. A proposta chegou a ser rejeitada pela Câmara em 2021 e, mais tarde, incorporada ao projeto do novo Código Eleitoral no Senado, onde ainda enfrenta resistência.

O texto com as oito sugestões é finalizado pela equipe jurídica do partido e deve ser protocolado em julho, possivelmente com a participação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Com informações de Gazeta do Povo