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MPF apura denúncia de “rachadinha” que envolve ex-presidente dos Correios

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Brasília – O Ministério Público Federal (MPF) deu início a uma averiguação preliminar sobre um suposto esquema de “rachadinha” nos Correios, apontado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro (Sintect-RJ). A entidade relata que cerca de 300 empregados teriam sido contratados entre 2023 e 2025 mediante devolução de parte dos salários.

Como funcionaria o esquema

Segundo depoimentos de 13 testemunhas, a indicação para cargos de gestão era condicionada ao repasse mensal de 5% a 15% da remuneração – valores que variavam de R$ 50 a R$ 1.000. Os pagamentos, de acordo com a denúncia, eram transferidos para a conta de um gestor identificado como tesoureiro do grupo.

Principais acusados

O ex-presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, e o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), Emerson Marinho, são apontados como articuladores. O sindicato alega que Emerson atuava como agenciador de cargos de confiança usando a estrutura sindical. Ambos negam irregularidades e atribuem a queixa a disputas internas.

Processo migra para Brasília

Originalmente aberto no Rio de Janeiro, o procedimento foi transferido para o Distrito Federal porque os investigados ocupam cargos de abrangência nacional e trabalham em Brasília, onde está a sede administrativa dos Correios. O caso aguarda definição sobre a abertura de inquérito formal.

Impacto financeiro da estatal

O escândalo surge em meio à pior crise financeira da empresa. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões — quase o dobro do resultado negativo do mesmo período de 2025. Para evitar insolvência, a companhia contratou empréstimos de aproximadamente R$ 20 bilhões e lançou programas de demissão voluntária.

Possíveis enquadramentos legais

Como o Código Penal não tipifica o crime de “rachadinha”, os fatos podem ser enquadrados em concussão (exigir vantagem indevida), peculato (apropriação de recursos públicos), tráfico de influência, associação criminosa e atos de improbidade administrativa. As penas incluem multa, perda de função pública e suspensão dos direitos políticos.

O MPF continua coletando documentos e depoimentos para decidir sobre a abertura de investigação completa.

Com informações de Gazeta do Povo