A Braskem obteve nesta sexta-feira (26) uma decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo que suspende por 60 dias todas as execuções e restrições judiciais movidas por credores convidados a participar de uma mesa de mediação promovida pela petroquímica.
Em fato relevante, a companhia destacou que a medida emergencial tem “escopo estritamente financeiro” e não altera obrigações com fornecedores, clientes ou demais stakeholders, que seguem válidas conforme os contratos.
Pressão de caixa e plano de reestruturação
No primeiro trimestre de 2026, a Braskem consumiu R$ 5,039 bilhões em caixa, principalmente por causa do pagamento de juros de uma dívida total de US$ 8,5 bilhões. A prioridade, segundo a empresa, é reorganizar o capital para preservar liquidez.
O perfil de endividamento mostra menor concentração de vencimentos no curto prazo: de todo o passivo, apenas US$ 457 milhões vencem em 2026, enquanto mais de 60% têm prazo depois de 2030. A Braskem atribui parte da pressão financeira à alta do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio, que provocou alterações estruturais no mercado.
Responsabilização por Maceió
Paralelamente à crise financeira, a petroquímica responde pelos danos provocados pelo afundamento do solo em Maceió, ligado à extração de sal-gema desde a década de 1970. O problema ganhou dimensão nacional após tremores registrados em março de 2018.
Mais de 14 mil imóveis precisaram ser evacuados, afetando cerca de 60 mil moradores. Em 17 de junho, a Justiça Federal de Alagoas tornou réus ex-dirigentes e técnicos da empresa. Para reparação, a Braskem reservou R$ 14,4 bilhões em seu orçamento.
Impacto no mercado
As ações preferenciais classe A (BRKM5), que já custaram R$ 66,80, encerraram o pregão desta sexta-feira a R$ 6,27, acumulando queda de 18,8% em 2026. A empresa reiterou em nota “respeito e solidariedade” aos atingidos e reafirmou o compromisso de compensar os prejuízos.
Com informações de Gazeta do Povo