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Guinada à direita na região abre caminho para mais operações de segurança dos EUA nos países vizinhos ao Brasil

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26/06/2026 – Curitiba (PR) – A vitória de candidatos de direita na Colômbia e no Peru, confirmada nesta semana, fortalece o plano dos Estados Unidos de ampliar ações de segurança na América do Sul, deixando o governo brasileiro cada vez mais isolado na região.

Colômbia adere ao “Escudo das Américas”

Em seu primeiro pronunciamento após vencer as eleições, o colombiano Abelardo de la Espriella anunciou a entrada do país no Escudo das Américas, coalizão liderada por Washington contra o crime organizado transnacional. O grupo já reúne Argentina, Chile, Bolívia, Equador e El Salvador. Nações governadas por partidos de esquerda, como o Brasil, permanecem fora da iniciativa.

Peru sinaliza apoio a Washington

A apuração final confirmou a vitória da conservadora Keiko Fujimori no Peru. Para a Casa Branca, o resultado representa mais um aliado sul-americano na estratégia de conter a influência de rivais geopolíticos como China e Rússia.

Acordos militares se multiplicam

Desde dezembro, quando o presidente Donald Trump incluiu a América Latina como prioridade na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, diversos acordos foram assinados:

  • Argentina – O governo Javier Milei firmou memorando que integrou um representante da Polícia Federal Argentina à El Dorado Task Force e autorizou exercícios com tropas norte-americanas.
  • Paraguai – Parceria estratégica no âmbito do Acordo do Estatuto das Forças (SOFA) permite o destacamento de militares dos EUA em território paraguaio.
  • Bolívia, Chile e Equador – Assinaram pactos para fortalecer o combate conjunto ao crime organizado.

Governos majoritariamente conservadores também endossaram o Compromisso de Santiago, que prevê maior coordenação regional contra o narcotráfico.

Direita em alta entre latino-americanos

Levantamento do Latinobarómetro indica que, em 2024, a identificação da população da América Latina com a direita atingiu o maior patamar em mais de 20 anos. O instituto entrevistou 19 mil pessoas em 18 países, apontando a criminalidade crescente como principal fator para a guinada conservadora.

Brasil enfrenta isolamento

A relação entre Brasília e Washington tornou-se tensa após a Casa Branca classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O governo Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a medida, temendo que a designação sirva de argumento para eventuais intervenções militares.

Para a professora Natali Hoff, da PUCPR, a tendência dos EUA em firmar acordos com governos ideologicamente alinhados reforça o isolamento brasileiro. Segundo ela, Brasília precisará manter diálogo com vizinhos e com Washington para enfrentar o avanço do crime organizado.

Com o aumento de parceiros conservadores na região, a administração Trump prevê intensificar missões de segurança e inteligência em território sul-americano, ampliando sua presença nos países que fazem fronteira com o Brasil.

Com informações de Gazeta do Povo