São Paulo, 12 de abril de 2026 – A bilionária brasileira Luana Lopes Lara, fundadora da plataforma norte-americana Kalshi, planeja inaugurar no país um mercado de previsões em parceria com a XP Investimentos. O modelo, que permite negociar contratos sobre acontecimentos futuros, esbarra na falta de regras específicas e divide órgãos reguladores entre tratá-lo como aposta ou como instrumento financeiro.
Como funciona o mercado de previsões
Nessa modalidade, o investidor compra contratos que representam a ocorrência de um evento – por exemplo, a alta da inflação. Se o contrato custa US$ 0,60, o mercado atribui 60% de probabilidade ao fato. Caso a previsão se confirme, o título passa a valer US$ 1; se não, cai a zero. Diferentemente das casas de apostas esportivas, o participante pode vender o contrato antes do desfecho, lucrando ou reduzindo perdas conforme a oscilação das expectativas, dinâmica comparada à de uma bolsa de valores.
Diferença para as “bets” tradicionais
Enquanto as apostas de quota fixa tratam de resultados de jogos e pagam prêmio apenas no fim do evento, as plataformas de previsões permitem negociação contínua dos contratos. Especialistas defendem que essa característica aproxima o produto dos derivativos financeiros, e não do entretenimento de cassino virtual.
Impasses legais no Brasil
A legislação atual cobre apenas apostas esportivas, não contemplando contratos vinculados a indicadores econômicos ou decisões políticas. Operadoras de apostas tradicionais reclamam de concorrência desleal, pois as empresas de previsões ficariam livres das taxas de licença que chegam a cifras milionárias. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério da Fazenda estudam em qual categoria o novo produto se enquadra.
Cenário internacional pressiona
Nos Estados Unidos, autoridades apertam a fiscalização para conter possíveis manipulações e uso de informação privilegiada, sobretudo em anos eleitorais. Alguns estados já barraram contratos sobre resultados esportivos, e procuradores federais investigam negociações suspeitas realizadas antes de anúncios oficiais do governo.
Posição do governo brasileiro
A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda informou que o assunto permanece em análise interna. Até o momento, nenhuma empresa recebeu autorização para operar mercados preditivos no país. Qualquer decisão dependerá de entendimento conjunto com a CVM para evitar brechas na legislação.
Com o impasse, a iniciativa de Luana Lopes Lara e da XP Investimentos aguarda definições regulatórias antes de abrir negociações no mercado doméstico.
Com informações de Gazeta do Povo