Budapeste – A Hungria encerrou neste domingo, 12 de abril de 2026, 16 anos de domínio político de Viktor Orbán. O partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, venceu as eleições parlamentares com 53% dos votos e assegurou 138 das 199 cadeiras, suficiente para alterar a Constituição.
Crise do indulto expõe governo
A ruptura começou quando a então presidente Katalin Novák concedeu indulto a um ex-vice-diretor de orfanato condenado por pressionar crianças a retirar denúncias de abuso sexual contra o diretor da instituição. A revelação provocou indignação popular e culminou nas renúncias de Novák e da ministra da Justiça, Judit Varga, abrindo fissuras no partido governista Fidesz.
Ascensão de Péter Magyar
Advogado, empresário e ex-marido de Judit Varga, Péter Magyar rompeu com o governo após o escândalo, denunciou corrupção sistêmica e assumiu o pequeno partido Tisza. Em poucos meses, transformou a legenda adormecida em força nacional. O nome Tisza combina as iniciais das palavras húngaras para “respeito” (tisztelet) e “liberdade” (szabadság) e coincide com o segundo maior rio do país, metáfora usada no slogan de que o rio “transbordaria” para limpar a política.
Mudança de rumo externo
Contrário à linha de Orbán, que mantinha proximidade com Vladimir Putin e frequentemente bloqueava decisões da União Europeia, Magyar promete realinhar Budapeste a Bruxelas. Entre as metas estão reduzir a dependência energética da Rússia até 2035 e adotar posição mais favorável à Ucrânia, sem, contudo, enviar armas ao conflito.
Supermaioria no Parlamento
Com 53% dos votos e 138 assentos, o Tisza detém a supermaioria necessária para reformar a Constituição e reestruturar órgãos como Judiciário e imprensa, que a oposição acusa de terem ficado sob controle de Orbán na última década.
O novo Parlamento toma posse ainda em abril, encerrando oficialmente a era Orbán e iniciando a transição para o governo de Péter Magyar.
Com informações de Gazeta do Povo