Brasília, 13 de abril de 2026 – Criminosos têm intensificado a oferta de empréstimos falsos dirigidos a consumidores endividados ou com restrição no nome, segundo especialistas em segurança financeira. A fraude, conhecida como “golpe do empréstimo”, combina promessas de aprovação imediata, juros muito abaixo do mercado e ausência de consulta a serviços de proteção ao crédito para convencer as vítimas a pagar taxas antecipadas ou fornecer dados sigilosos.
Como o golpe funciona
Os golpistas se passam por bancos ou correspondentes bancários e abordam as vítimas por WhatsApp, SMS, ligações telefônicas, redes sociais, e-mail e sites que imitam a identidade visual de instituições conhecidas. Após conquistar a confiança do consumidor, exigem o pagamento prévio de supostos seguros, IOF, taxas administrativas ou de liberação. Depois do depósito, o contato é encerrado e o crédito prometido não é liberado.
Sinais de alerta mais comuns
Autoridades apontam indícios frequentes de fraude:
- cobrança de qualquer valor antes da liberação do dinheiro;
- “aprovação garantida” sem análise de crédito;
- pressão para fechar contrato no mesmo dia;
- pagamento via PIX para conta de pessoa física;
- empresa sem CNPJ consultável;
- erros de português e comunicação excessivamente informal.
Estratégias de engenharia social
A quadrilha utiliza páginas falsas com logotipos, cores e linguagem de bancos reais, envios massivos de mensagens oferecendo “crédito pré-aprovado” e até falsas centrais de atendimento que se apresentam como funcionárias de instituições financeiras ou do INSS. Em muitos casos, além da taxa antecipada, o objetivo é coletar CPF, RG, comprovante de residência, dados bancários, senhas e selfies para abrir contas ou contratar serviços no nome da vítima.
Principais modalidades de fraude
Entre os golpes mais relatados estão:
- Falso empréstimo – exige depósito prévio para liberar dinheiro que nunca chega;
- Devolução do empréstimo – a vítima recebe valor inesperado e é induzida a “devolver” para cancelar contrato fictício;
- Empréstimo consignado – foca em aposentados e pensionistas, com cobrança irregular ou contratação sem autorização;
- Empréstimo online – sites clonados capturam dados ou cobram taxas antecipadas;
- Clonagem de dados – informações pessoais são usadas para obter crédito real em nome da vítima;
- Falso investimento – promessa de altos rendimentos que esconde esquema fraudulento.
Como checar a legitimidade da oferta
Especialistas recomendam:
- consultar o CNPJ no site da Receita Federal;
- verificar se a instituição consta como autorizada pelo Banco Central;
- contatar canais oficiais – números e e-mails listados no site da empresa;
- pesquisar reclamações em plataformas de consumidores;
- desconfiar de atendimento que ocorre exclusivamente por WhatsApp.
Medidas preventivas
Para reduzir o risco de cair em fraudes, nunca pague taxas antecipadas, não compartilhe senhas, desconfie de juros fora da realidade do mercado, evite clicar em links desconhecidos e leia o contrato com atenção antes de assinar.
O que fazer em caso de golpe
Se o consumidor já efetuou pagamento ou divulgou informações pessoais, a orientação é:
- avisar imediatamente o banco e solicitar o bloqueio da transação, especialmente se foi via PIX;
- registrar boletim de ocorrência e guardar todas as conversas, comprovantes e contratos;
- comunicar o banco que recebeu o valor para tentar bloquear a conta;
- buscar orientação jurídica se o estorno for negado.
Papel de bancos e órgãos de defesa
Instituições financeiras devem aprimorar mecanismos de verificação na abertura de contas. Banco Central e entidades de defesa do consumidor recebem denúncias, monitoram irregularidades e podem aplicar sanções, contribuindo para conter novas ocorrências.
Embora o golpe do empréstimo utilize táticas cada vez mais sofisticadas, a adoção de cuidados básicos na checagem de ofertas continua sendo a principal barreira contra perdas financeiras e uso indevido de dados pessoais.
Com informações de Gazeta do Povo