A eleição presidencial de 2026 consolidou o liberalismo econômico como ponto de encontro dos principais nomes da direita brasileira. Responsabilidade fiscal, ambiente pró-mercado e redução da intervenção estatal aparecem nos discursos de todos os pré-candidatos, mas cada um delineia limites diferentes para a atuação do governo.
Discurso liberal une, mas não apaga divergências
Desde as manifestações de 2013, passando pela recessão de 2014-2016 e pela Operação Lava Jato, conceitos como privatizações, teto de gastos e liberdade econômica ganharam espaço no debate público. A chegada de Paulo Guedes ao Ministério da Economia em 2019 fortaleceu essa pauta dentro do bolsonarismo. Hoje, institutos como o ILISP organizam seminários e pretendem medir o compromisso dos postulantes ao Planalto com reformas de mercado.
Flávio Bolsonaro: ajuste fiscal sem romper com o pragmatismo social
O senador busca herdar o legado econômico de Guedes e se reúne com nomes do antigo governo, entre eles o ex-ministro Adolfo Sachsida. Apresentado a empresários em 20 de maio, o “Projeto Brasil” prevê:
- nova âncora fiscal baseada na trajetória da dívida/PIB;
- ampliação de privatizações e concessões;
- auditoria de subsídios para combater o “capitalismo de compadrio”;
- desburocratização de licenças em mineração, infraestrutura e margem equatorial;
- digitalização de serviços públicos para cortar custos;
- manutenção de programas sociais com foco em equilíbrio das contas;
- desvinculação de reajustes previdenciários do salário mínimo e revisão de indexações obrigatórias.
Romeu Zema: agenda mais ampla de privatizações e corte de despesas
Filiado ao Partido Novo, o governador de Minas Gerais propõe uma remodelagem profunda do Estado:
- reforma previdenciária que inclua militares, estados, municípios e rurais, com idade mínima atrelada à expectativa de vida;
- redução de indexações automáticas no Orçamento;
- reforma administrativa com menos ministérios e cargos de confiança;
- privatização de todas as estatais, inclusive as consideradas estratégicas;
- expansão de PPPs em saúde e educação;
- venda de imóveis e ativos ociosos;
- metas obrigatórias de redução de impostos, forçando cortes de gastos;
- unificação e fiscalização mais rígida de programas sociais.
Ronaldo Caiado: Estado enxuto, mas ativo em setores estratégicos
O governador de Goiás combina austeridade com defesa de investimentos em áreas-chave. O plano, coordenado pelo ex-ministro Roberto Brant, inclui:
- aplicação nacional do ajuste fiscal adotado em Goiás para conter a dívida pública;
- estabilidade institucional e equilíbrio permanente das contas;
- crítica a aumentos de gasto sem cobertura financeira;
- investimentos em infraestrutura para escoar produção do agronegócio;
- exploração de minerais estratégicos e fomento à inteligência artificial;
- programas sociais voltados à inserção produtiva.
Renan Santos: corte de gastos com nacionalismo tecnológico
Cofundador do MBL e filiado ao partido Missão, o deputado mistura ajuste liberal a uma política industrial voltada à soberania:
- “pacote ônibus” de reformas enviado logo no início do mandato;
- manutenção da autonomia do Banco Central;
- flexibilização da CLT com múltiplos vínculos e jornadas variáveis;
- Lei de Responsabilidade Gerencial para premiar prefeituras eficientes;
- criação de cadeias nacionais em terras raras, semicondutores e defesa;
- transformação do Nordeste em polo de energia renovável e nuclear;
- manutenção da Petrobras como empresa estatal estratégica e privatização dos Correios;
- Bolsa Família condicionada à aceitação de ofertas de trabalho;
- alinhamento diplomático com EUA, União Europeia e Japão para disputar tecnologia com a China.
Apesar da convergência em torno do livre mercado, o tamanho e o papel do Estado continuam definindo as fronteiras entre os grupos da direita na eleição de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo