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Após visita de Lula, Trump classifica PCC e CV como terroristas e amplia desgaste político no Brasil

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Washington (EUA), 30 mai. 2026 – Poucas semanas depois de Luiz Inácio Lula da Silva pedir na Casa Branca que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) não fossem rotuladas como organizações terroristas, o governo dos Estados Unidos tomou o caminho oposto e incluiu os dois grupos na lista oficial de terrorismo.

De acordo com assessores presidenciais, o secretário de Estado anunciou a decisão nesta quinta-feira (30), iniciativa que foi previamente comunicada ao senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa ao Planalto de 2026. O gesto concedeu ao parlamentar o crédito público pela medida e intensificou o embate político interno no Brasil.

Críticas de Lula a Trump antecederam a manobra

Desde que voltou ao Palácio do Planalto, em 2023, Lula elevou o tom contra Donald Trump. Chamou o trumpismo de “nova face do fascismo e do nazismo”, condenou a hegemonia do dólar e, em 2024, declarou que uma vitória de Kamala Harris seria “mais segura para a democracia”. O petista também acusou Washington de tentar interferir nas eleições brasileiras.

No ano passado, após o aumento de tarifas sobre exportações brasileiras, Lula disse que Trump se via como “imperador do mundo” e praticava “chantagem” e “atitudes anticivilizatórias”. Criticou ainda a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes, alegando perseguição a conservadores exilados nos EUA.

Silêncio estratégico

Apesar dos ataques, Trump manteve postura cordial em público, o que levou Lula a acreditar em uma relação amistosa. Essa impressão se consolidou durante o encontro bilateral deste ano, quando o brasileiro invocou a soberania nacional para defender que PCC e CV não fossem enquadrados como terroristas. Trump apenas ouviu e não reagiu.

O contra-ataque veio agora. A Casa Branca avalia que a nova classificação abre espaço para investigações ampliadas da CIA e da DEA sobre eventuais vínculos financeiros e políticos das facções no Brasil. Fontes no governo americano afirmam que o objetivo é rastrear fluxos de dinheiro e identificar possíveis conexões com autoridades brasileiras.

Efeito regional

Em ações semelhantes, o governador de Sinaloa, no México, Rubén Rocha Moya, renunciou após denúncias de associação ao narcotráfico sustentadas por dados dos EUA. Analistas em Brasília apontam que figuras proeminentes da política nacional já demonstram preocupação com os desdobramentos da decisão de Washington.

Ao designar PCC e CV como organizações terroristas, Trump aproveitou o momento para enfraquecer Lula politicamente e alavancar Flávio Bolsonaro, que agora utiliza a medida como trunfo de campanha. O Palácio do Planalto ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão norte-americana.

Com informações de Gazeta do Povo