O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, que a inflação brasileira está ligada à dificuldade do país em elevar sua produtividade. A declaração foi feita durante o 14º Fórum de Lisboa, encontro apelidado de “Gilmarpalooza” e organizado pelo Instituto de Direito Público (IDP), do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.
“É um ponto preocupante para vários países, para a Europa, para a América Latina, mas para o Brasil também, que é a ausência de ganhos de produtividade bastante evidentes na nossa economia”, afirmou Galípolo. Ele ressaltou que, apesar do crescimento econômico, do nível recorde de renda e do desemprego em mínima histórica, permanece o desafio de inserir o Brasil em cadeias globais de valor puxadas pela produtividade.
Inteligência artificial no centro do debate
O evento deste ano discute os impactos da inteligência artificial (IA) no Judiciário e na sociedade. Galípolo avaliou que os benefícios da tecnologia sobre a produtividade devem aparecer no futuro e podem reduzir pressões inflacionárias, “ainda que o Brasil esteja menos linkado a esse segmento”.
No mesmo fórum, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou em entrevista que pretende priorizar a regulamentação da IA para que as regras estejam valendo nas próximas eleições.
Tarifas dos EUA e conflito no Oriente Médio
Galípolo também comentou as tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos países, inclusive ao Brasil. Segundo ele, a menor dependência da economia brasileira em relação ao mercado norte-americano atenuou o efeito das alíquotas, inicialmente de 50% e que, após suspensão, podem cair para 25%.
Sobre a guerra no Oriente Médio, o presidente do BC disse ver impacto limitado na economia nacional, atribuindo o amortecimento ao perfil exportador do Brasil.
Com informações de Gazeta do Povo