Levantamento do Barna Group mostra que, apesar de receios de que a inteligência artificial (IA) possa rivalizar com Deus e comprometer a autoridade das Escrituras, a maioria dos pastores e cristãos praticantes nos Estados Unidos continua recorrendo à tecnologia em diversas áreas da vida espiritual e pessoal.
Quem participou
Os dados reúnem duas pesquisas realizadas em parceria com a plataforma Gloo, dentro da iniciativa Estado da Igreja. O primeiro estudo, em novembro de 2025, ouviu 1.514 adultos norte-americanos. O segundo, em dezembro de 2025, coletou respostas de 442 pastores protestantes no país.
Confiança na IA para questões pessoais e espirituais
Entre os cristãos praticantes, 48% disseram confiar na IA para impulsionar seu crescimento espiritual. Também afirmaram que usariam a tecnologia para:
- 61% – alcançar estabilidade financeira;
- 56% – melhorar bem-estar mental e físico;
- mais da metade – sentir-se feliz, encontrar propósito de vida e construir relacionamentos significativos.
A abertura à IA é maior entre fiéis praticantes do que entre pastores e cristãos não praticantes, apontou o Barna.
Preocupações persistentes
Apesar da adesão, líderes e fiéis demonstram forte apreensão sobre o impacto da IA na fé:
- 94% dos pastores e 83% dos cristãos praticantes temem que a tecnologia interprete as Escrituras de forma incorreta; esse receio é compartilhado por 74% dos adultos em geral.
- 63% dos pastores e 72% dos fiéis praticantes receiam ser substituídos na orientação espiritual.
- 73% dos cristãos praticantes temem que o uso da IA leve pessoas a perderem a fé.
Uso frequente entre líderes religiosos
Estudo complementar, Tecnologia para Impacto Missionário: Estado da Tecnologia na Igreja em 2026, revela que 60% dos líderes religiosos utilizam IA para fins pessoais ao menos algumas vezes por mês; 24% nunca recorrem ao recurso.
Outra pesquisa, o Relatório da Pesquisa sobre o Estado da IA na Igreja em 2025, indica que a maioria dos pastores já emprega ferramentas como ChatGPT e Grammarly na preparação de sermões.
Falta de políticas claras
A despeito do uso crescente, apenas 5% das igrejas contam com diretrizes formais sobre IA. Mesmo assim, 64% dos líderes consideram importante estabelecer regras (24% veem extrema necessidade; 40%, necessidade moderada).
Com informações de Folha Gospel