Brasília, 24 de abril de 2026 – A política de tributação conhecida como “taxa das blusinhas”, criada pelo governo federal em 2024 para favorecer o comércio interno, não atingiu o resultado esperado. A conclusão está em estudo da consultoria Global Intelligence and Analytics, encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec).
Diagnóstico equivocado
Assinado pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lucas Ferraz, com a colaboração da doutora em Direito Internacional Fernanda Kotzias e dos economistas Alan Leal e Lucas Mariano, o relatório aponta que o debate sobre compras online partiu de uma “fonte de pressão competitiva externa” mal identificada. Segundo os autores, a maior parte das importações ainda passa pelo regime aduaneiro tradicional, e não pelas plataformas digitais visadas pela medida.
Como funciona a cobrança
Desde 2024, consumidores pagam 20% de imposto em compras internacionais de até US$ 50 e 60% em valores superiores. A expectativa do Ministério da Fazenda era desestimular a procura por varejistas estrangeiras e, com isso, aquecer o mercado interno.
Impacto limitado em emprego e renda
Os dados reunidos pela pesquisa mostram variações modestas:
- Salário médio no setor de eletrônicos subiu R$ 698, enquanto o de brinquedos recuou R$ 930.
- No emprego, houve acréscimo de mais de 1.533 trabalhadores em tecnologia e redução superior a 2.800 na área dermatológica.
- Em termos percentuais, o maior avanço salarial foi no vestuário (0,3%), enquanto a maior queda ocorreu em papelaria (-0,98%).
- Quanto ao número de vagas, eletrônicos cresceu 0,2% e papelaria encolheu 0,7%.
Os autores concluem que, diante de efeitos tão discretos, a taxação não conseguiu transferir demanda do e-commerce internacional para o varejo nacional na escala desejada.
Com informações de Gazeta do Povo