Brasília — Empresas estatais federais acrescentaram R$ 568 milhões ao resultado negativo das contas públicas em fevereiro, de acordo com o relatório de estatísticas fiscais divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (31).
Com o novo acréscimo, o rombo dessas companhias acumulou mais de R$ 10,5 bilhões nos últimos 12 meses. No mesmo mês, estados e municípios registraram superávit de R$ 13,7 bilhões, enquanto o governo federal fechou com déficit de R$ 29,5 bilhões.
Correios concentram medidas de ajuste
O agravamento das contas das estatais ocorre paralelamente ao plano de reestruturação dos Correios, que inclui venda de imóveis, programa de demissão voluntária e adoção da jornada 12×36 em determinados setores.
Dívida e juros em alta
O Banco Central também apontou aumento de R$ 6 bilhões nos encargos da dívida pública no período. A dívida líquida do setor público alcançou R$ 8,4 trilhões, equivalente a 65,5 % do Produto Interno Bruto (PIB). Considerando União, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estados e municípios, o montante chega a R$ 10,2 trilhões, ou 79,2 % do PIB.
Na véspera, a autoridade monetária já havia informado déficit primário de R$ 30 bilhões do governo federal em fevereiro. Incluindo os juros, o déficit nominal atingiu R$ 100,6 bilhões.
Selic menor, mas preocupações persistem
Segundo o BC, inflação elevada, taxa básica de juros (Selic) e nível de endividamento contribuíram para pressionar os juros nominais. A ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) citou “incertezas sobre a estabilização da dívida pública” e a perda de fôlego em reformas estruturais e disciplina fiscal entre os fatores que levaram a um corte mais contido de 0,25 ponto percentual na Selic.
Com informações de Gazeta do Povo