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Produtividade explica por que nações ricas trabalham menos que o Brasil

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A Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 reacendeu, no Brasil, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho. Especialistas afirmam que países desenvolvidos conseguem trabalhar menos horas sem perder riqueza porque alcançaram altos níveis de produtividade, resultado de décadas de investimentos em tecnologia, educação e infraestrutura.

Diferença de rendimento por hora

Dados citados por economistas mostram que um trabalhador na Alemanha ou na França gera cerca de US$ 90 por hora trabalhada. No Brasil, essa faixa varia entre US$ 17 e US$ 21, o que reduz a capacidade de produzir a mesma riqueza em menos tempo.

Redução de jornada: causa ou consequência?

Analistas alertam que diminuir a carga horária por meio de lei não resolve, por si só, o problema da produtividade. Caso a jornada seja encurtada sem ganho de eficiência, o custo de produção sobe, podendo provocar inflação, cortes de investimentos e até a substituição de profissionais experientes por trabalhadores iniciantes com salários menores.

Modelos adotados no exterior

A maioria dos países ricos não impôs limites rígidos em suas constituições. Na Alemanha, por exemplo, a legislação permite até 48 horas semanais, mas acordos entre empresas e sindicatos reduziram a média real para 34 horas. Esse formato negociado possibilita que cada setor ajuste a jornada conforme suas necessidades operacionais e metas de lucro.

Setores têm rotinas distintas

Especialistas destacam que uma regra única pode ignorar diferenças entre atividades. Fazendas leiteiras dependem de ordenhas matinais e vespertinas, enquanto hospitais e supermercados operam em turnos contínuos. Uma norma geral pode dificultar serviços essenciais e elevar o custo de vida ao consumidor.

O que falta ao Brasil

Para chegar a jornadas menores sem perda de produção, economistas defendem atacar gargalos históricos: melhorar infraestrutura, desburocratizar processos e investir fortemente em qualificação profissional. Como exemplo, citam o Chile, onde a redução da jornada foi gradual e condicionada a acordos setoriais, preservando a competitividade das empresas.

Com informações de Gazeta do Povo