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Exército revê estratégia e coloca drones e defesa antiaérea no centro de sua modernização

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O Exército Brasileiro lançou, em abril deste ano, a Política de Transformação do Exército, documento que redesenha a estrutura de defesa nacional até 2043. Conduzida pelo comandante Tomás Paiva, a nova diretriz prioriza drones, sensores, mísseis e sistemas antiaéreos – recursos considerados mais acessíveis e decisivos nas guerras atuais, como demonstrado nos conflitos da Ucrânia e do Irã.

Nova lógica orçamentária

Até aqui, grande parte do orçamento militar se destinava a equipamentos de alto custo – submarinos, caças e blindados. A partir de agora, a estratégia é realocar verbas para tecnologias de menor preço e alto impacto no campo de batalha. Programas e unidades avaliados como redundantes serão encerrados, e os investimentos se concentrarão em áreas críticas.

Drones em quatro categorias

A Força Terrestre adotou uma classificação de quatro tipos de drones. Nas categorias 1 e 2 estão veículos menores, similares aos modelos civis adaptados, usados para reconhecimento, lançamento de granadas e ataques suicidas. Já as categorias 3 e 4 abrangem aeronaves de maior porte, com alcance de milhares de quilômetros e capacidade de ataque a alvos estratégicos. O plano prevê a produção desses equipamentos no Brasil, reduzindo a dependência externa.

Sensores integrados de fronteira a espaço cibernético

Outro pilar é a ampliação do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras). A meta é conectar postos de observação, radares terrestres, aéreos e navais, além de ferramentas para identificar tentativas de ataque cibernético. O Exército estuda, inclusive, sistemas de “sensor quântico” capazes de detectar assinaturas eletromagnéticas mínimas de tropas e equipamentos inimigos.

Defesa antiaérea ganha prioridade

Hoje restrita a baterias de curto alcance e à aviação de caça, a defesa antiaérea passará por expansão. O Programa Estratégico Astros-Fogos – evolução do Astros 2020 – integrará foguetes, mísseis, inteligência artificial e interceptores de até 300 km. Embora a produção nacional seja desejada, oficiais admitem a necessidade de importar parte da tecnologia mediante acordos de transferência de conhecimento.

Reorganização de efetivos

Para viabilizar a modernização, o número de projetos estratégicos cairá de 13 para 6, e o contingente em prontidão máxima deverá recuar de 40% para 20%. Unidades localizadas em áreas consideradas seguras serão deslocadas para regiões sensíveis ou desativadas. O episódio de 2023, quando tropas e blindados foram enviados rapidamente a Roraima diante da tensão Venezuela–Guiana, serviu de modelo para essa nova mobilidade.

Apesar do foco em tecnologias emergentes, o Exército ressalta que blindados, artilharia convencional e treinamento de tropas permanecem como base da força terrestre. Haverá, inclusive, incentivo à produção nacional de munições para diminuir compras externas.

Dessa forma, a instituição busca construir uma capacidade de dissuasão compatível com o cenário econômico do país e alinhada às lições observadas em conflitos recentes, onde soluções de baixo custo têm imposto desafios até mesmo a potências militares.

Com informações de Gazeta do Povo