Brasília, 23 de junho de 2026 – A combinação de queda na taxa de natalidade e envelhecimento acelerado da população coloca em risco o crescimento econômico e a sustentabilidade fiscal do Brasil, alertam especialistas.
Força de trabalho encolhe
Com menos jovens ingressando no mercado e mais pessoas acima de 60 anos fora da atividade produtiva, o país caminha para uma redução significativa da força de trabalho. O desequilíbrio tende a aumentar a pressão sobre os sistemas de previdência, saúde e assistência social, já que a base de contribuintes diminui enquanto os gastos com aposentadorias e cuidados médicos crescem.
Bônus demográfico já passou
O chamado bônus demográfico — período em que há mais população em idade de trabalhar do que dependentes — ficou para trás sem que problemas estruturais fossem resolvidos. O Brasil, apontam analistas, envelhece antes de alcançar níveis elevados de renda e produtividade, cenário diferente do enfrentado por nações hoje desenvolvidas.
Produtividade em baixa
Dados internacionais colocam o país na 94ª posição em eficiência do trabalho. Um brasileiro gera em média US$ 21,10 por hora, frente a US$ 81,80 nos Estados Unidos e US$ 33,80 na Argentina. Apesar das 38,9 horas semanais trabalhadas, a falta de qualificação e tecnologia impede que o esforço se converta em riqueza.
Podem políticas públicas estimular nascimentos?
Especialistas veem limites para incentivos estatais. A decisão de ter filhos está cada vez mais ligada a fatores culturais e ao desejo de autonomia. Pesquisas indicam, contudo, que casais gostariam de ter mais filhos do que efetivamente têm. Reduzir custos, ampliar segurança no emprego e oferecer suporte como creches seriam caminhos para eliminar barreiras financeiras.
Medidas sugeridas
Entre as ações defendidas estão investimentos robustos em creches, saúde e modalidades de trabalho flexível. Estudos mostram aumento na intenção de ter filhos quando ambos os parceiros podem atuar em regime de teletrabalho alguns dias por semana. Especialistas ressaltam que essas iniciativas precisam ser políticas de Estado, com planejamento de longo prazo, para dar previsibilidade às famílias.
Com informações de Gazeta do Povo