O endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% da renda acumulada em 12 meses em fevereiro de 2026, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 2005. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27).
Segundo o BC, o custo do crédito diminuiu 0,1 ponto percentual em março depois de ter atingido o recorde de 24,2% no mês anterior, mas permanece em patamar elevado.
Os números chegam às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira (29), quando será definida a nova taxa básica de juros (Selic). Na última reunião, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto, de 15% para 14,75%, movimento considerado modesto diante da guerra no Oriente Médio e das incertezas fiscais.
Inflação e expectativas
No Boletim Focus mais recente, analistas consultados pelo BC elevaram pela sétima semana consecutiva a projeção de inflação para 2026, de 4,80% para 4,86%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já acumula 1,92% no ano até março.
Gastos públicos em ano eleitoral
Enquanto a inflação avança, o governo soma R$ 403,2 bilhões em despesas com programas sociais e subsídios desde janeiro, medidas classificadas pela oposição como populistas em pleno calendário eleitoral.
Cerco ao mercado de previsões
De olho no impacto do endividamento e nas movimentações do ano eleitoral, as autoridades reforçaram a fiscalização sobre o mercado de previsões. A Secretaria de Prêmios e Apostas equiparou as negociações entre usuários às apostas esportivas tradicionais, o Conselho Monetário Nacional (CMN) vetou derivativos ligados a eventos fora do mercado financeiro e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) bloqueou 27 plataformas.
Com informações de Gazeta do Povo