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Câmara aprova PEC que amplia imunidade tributária de igrejas e entidades assistenciais

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Brasília – A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (28) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 5/2023, que estende a imunidade tributária já existente para templos religiosos à compra de bens e serviços necessários ao funcionamento de igrejas e de instituições filantrópicas. O texto seguirá para análise do Senado.

Votação em dois turnos

No primeiro turno, a proposta recebeu 385 votos favoráveis, 93 contrários e 7 abstenções. No segundo, foram 368 a 96, com outras 7 abstenções. Eram necessários, em cada fase, ao menos 308 votos favoráveis.

Origem e relatoria

A iniciativa é do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. A redação aprovada corresponde a uma emenda aglutinativa apresentada pelo relator, deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO), que defendeu a mudança como “ato de justiça fiscal”. Segundo ele, a isenção já vale para importações feitas por entidades religiosas, mas não para aquisições no mercado interno, o que considerou contraditório.

Quem se posicionou contra

PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede orientaram voto contrário. O líder do PT, deputado Pedro Uczai (SC), argumentou que a legislação atual já garante benefícios fiscais e criticou a possibilidade de novas imunidades para compras de alto valor, citando palestras e aeronaves.

Alcance da nova imunidade

Além de “templos de qualquer culto”, o texto amplia a isenção de impostos indiretos — como o ICMS embutido no preço de produtos — a:

  • Entidades religiosas;
  • Creches e serviços de acolhimento institucional;
  • Comunidades terapêuticas, monastérios, seminários e conventos;
  • Atividades socioassistenciais e demais ações sem fins lucrativos.

A justificativa da proposta afirma que a tributação atual reduz recursos destinados ao atendimento de pessoas vulneráveis por asilos, orfanatos e projetos sociais das igrejas.

Retirada do “cashback”

O texto original previa a devolução dos tributos já pagos pelas entidades, mas esse dispositivo foi retirado após acordo entre o relator e a base governista.

Debate em plenário

O líder da federação PSOL-Rede, deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ), avaliou que a PEC amplia a imunidade além do necessário e que comunidades terapêuticas não deveriam ser beneficiadas por não se enquadrarem como locais de culto.

Já o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), defendeu a aprovação afirmando que “todas as religiões trazem contribuições sociais” por meio de obras filantrópicas de atendimento a idosos, crianças e dependentes químicos.

Com a aprovação na Câmara, a proposta precisa agora ser examinada em dois turnos pelo Senado para entrar em vigor.

Com informações de Gazeta do Povo