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PEC que encerra escala 6×1 e encurta jornada avança; governo mira queda da pejotização

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A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de 27 de maio, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 e diminui a carga semanal máxima de trabalho de 44 para 40 horas. O texto segue para o Senado e, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pode ser promulgado ainda no segundo semestre de 2026.

Motta explicou à TV Câmara que a mudança será gradual: a primeira redução de duas horas ocorrerá 60 dias após a promulgação. A expectativa é de que os efeitos já sejam sentidos pelos empregados antes do fim do ano.

Alvo principal: profissionais de alta renda

Embora apresentada como avanço social, a PEC 6×1 tem como foco conter a pejotização e recuperar receitas para o INSS. Relatório do deputado Léo Prates (Republicanos-BA) afirma que a medida busca “combater diretamente o fenômeno da pejotização, que prejudica substancialmente o financiamento da Previdência Social”.

Estimativa do Dieese indica que pouco mais de 400 mil trabalhadores se enquadram no grupo visado — os chamados hipersuficientes, profissionais com diploma de nível superior e renda elevada.

Novo parâmetro para hipersuficientes

Pelo texto aprovado, entra nessa categoria quem recebe valor igual ou superior a 2,5 vezes o teto do Regime Geral da Previdência Social (R$ 21.188,87). Para esses empregados:

  • não há controle obrigatório de jornada, salvo se o empregador quiser ou se houver acordo coletivo;
  • mantém-se o direito a repouso semanal remunerado de dois dias;
  • não é exigido cargo de gestão para exclusão do cartão-ponto;
  • a regra não alcança empregados públicos.

Impacto fiscal e reação da oposição

Ao reencaminhar esses profissionais para a CLT, o governo volta a arrecadar 20% de contribuição patronal ao INSS e submete os salários à alíquota máxima de 27,5% do IRPF. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) calcula que a imposição de jornada única gerará impacto de R$ 160 bilhões por ano às micro e pequenas empresas.

Para o deputado Kim Kataguiri (União-SP), o problema do trabalhador não é a carga horária, mas a alta tributação que sustenta a máquina pública.

Visão de especialistas

Advogados trabalhistas ouvidos pela reportagem divergem sobre o alcance da medida. Alexandre Almendros, da ABN Advogados, afirma que a rotina dos hipersuficientes, em geral de segunda a sexta, sofrerá alteração mínima. Já Hugo Luiz Schiavo, do A. C. Burlamaqui Advogados, pontua que o custo tributário ainda favorece a contratação via pessoa jurídica.

Para o ex-juiz trabalhista Platon Neto, a proposta eleva ao patamar constitucional regras já previstas desde a Reforma Trabalhista de 2017, mas não elimina a pejotização: “Enquanto a folha de pagamentos continuar cara, a prestação de serviços por PJ seguirá como solução competitiva”.

O texto precisa agora ser analisado em dois turnos pelo Senado. Só depois de aprovado pelos senadores é que poderá ser promulgado pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Com informações de Gazeta do Povo