Sharif Ali, 42 anos, pai de cinco filhos, morreu em 7 de julho após ser envenenado dois dias antes na Somalilândia. Segundo cristãos locais, parentes muçulmanos planejaram o ataque depois de descobrirem que ele havia abandonado o islamismo em abril.
Ali vivia em uma cidade não divulgada do território autodeclarado, que faz fronteira com Somália, Djibuti e Etiópia. O envenenamento ocorreu em 5 de julho, durante uma reunião familiar convocada para questioná-lo sobre visitas frequentes de cristãos à sua casa e sua ausência nas orações de sexta-feira na mesquita.
Após a refeição, ele passou a apresentar fortes episódios de vômito e diarreia. Levada ao hospital por sua esposa, a vítima recebeu diagnóstico de intoxicação por ouabaína, substância tradicionalmente usada como veneno de flechas no Leste da África.
Em conversa reservada com um líder de igreja clandestina que o visitou no leito, Ali lamentou não ter declarado publicamente a fé em “Issa” (Jesus) e disse que morreria feliz por crer nele.
O cristão, descrito como um líder comunitário compassivo, mantinha encontros secretos de fiéis em casa mesmo ciente dos riscos. Ele deixa esposa e filhos de 17, 14, 9, 6 e 4 anos.
Contexto de perseguição
A constituição da Somalilândia estabelece o islamismo como religião oficial e adota a sharia como base legal; a apostasia é punível com morte. Na vizinha Somália, classificada como o segundo país mais hostil aos cristãos pela Portas Abertas em 2026, a propagação de outras religiões também é proibida.
Conversos do islã enfrentam forte pressão familiar, isolamento e risco de violência. Grupos extremistas, como o Al Shabaab, aliado da Al Qaeda, reforçam essas ameaças na região.
Comunidades cristãs subterrâneas seguem orando pela família de Ali e por quem pratica a fé em segredo no Chifre da África.
Com informações de Folha Gospel