O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo FGV IBRE recuou 0,4 ponto em julho, chegando a 88,3 pontos. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (27), representa a terceira queda consecutiva e o patamar mais baixo desde março deste ano.
Segundo o instituto, o principal fator para a nova retração é o aperto no orçamento doméstico, pressionado por endividamento elevado, aumento da inadimplência e taxa básica de juros em 14,25% ao ano. “A piora na percepção do momento presente, sobretudo em relação às finanças familiares, voltou a pesar”, afirmou a economista Anna Carolina Gouveia, do FGV IBRE.
Renda mais baixa sente maior impacto
A pesquisa mostra que as famílias de menor renda foram as que mais contribuíram para a perda de confiança. De acordo com Gouveia, o pessimismo em relação aos próximos meses começa a contaminar também a avaliação da situação atual.
Desempenho dos subíndices
O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 2,6 pontos, para 84,4. Dentro desse grupo, a pontuação que mede a percepção sobre o orçamento da família registrou a maior queda: menos 3,5 pontos, alcançando 75,5. A avaliação sobre a economia local também recuou e ficou em 93,7 pontos.
Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,1 ponto, para 91,5, puxado exclusivamente pela melhora na intenção de compra de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis. Mesmo assim, as projeções para a própria situação financeira e para a economia local voltaram a ceder, indicando que a cautela permanece.
Nos levantamentos anteriores, o consumidor demonstrava algum alívio em relação ao presente, embora mantivesse preocupação com o futuro. O resultado de julho indica que a visão negativa já atinge ambos os horizontes.
Com informações de Gazeta do Povo