Brasília — O Palácio do Planalto considera a atual crise diplomática com a Argentina a mais grave desde a redemocratização brasileira. A avaliação foi feita pelo assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, em entrevista à CNN nesta terça-feira (28/7).
A turbulência começou no sábado (25), quando o presidente argentino, Javier Milei, participou da convenção do Partido Liberal (PL) em Brasília e dirigiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Itamaraty reage
No domingo (26), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para expressar o repúdio do governo brasileiro. Na mesma decisão, determinou o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, a Brasília para consultas — procedimento reservado a momentos de forte tensão bilateral.
Em nota, o Itamaraty qualificou o episódio como “sem precedentes” por envolver, em território nacional, agressões a um chefe de Estado brasileiro, às instituições democráticas e ao Poder Judiciário. O texto também recordou os 203 anos de relações entre os dois países e o papel da Argentina como principal parceiro comercial do Brasil na região.
Buenos Aires minimiza, Milei persiste
Do lado argentino, o chefe de Gabinete, Diego Santilli, tentou reduzir a importância do impasse, dizendo ao jornal La Nación que “os brasileiros não deveriam rasgar as roupas”. Mesmo assim, Milei voltou a criticar Lula em entrevistas de rádio e nas redes sociais. O presidente argentino acusou o governo brasileiro de financiar uma ofensiva contra a Argentina e questionou suposta interferência de Lula nas eleições presidenciais argentinas de 2023, quando Sergio Massa foi derrotado.
Ofensas durante a convenção do PL
Na convenção do PL, Milei defendeu o avanço de políticas econômicas liberais na América do Sul, classificou Lula como “presidiário” e chamou Moraes de “lixo careca” após ter um pedido negado para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro — investigado no Brasil e impedido de deixar o país.
Segundo Amorim, a soma dos ataques públicos e a postura de Milei após o evento levou o governo brasileiro a considerar o caso a “maior crise” entre os dois vizinhos desde o fim do regime militar em 1985.
Com informações de Gazeta do Povo