O governo brasileiro negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar o país para avaliar o sistema eleitoral. A medida, adotada durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agravou o clima de atrito diplomático entre Brasília e Washington.
Quem foi impedido de entrar
Foram barrados Riley M. Barnes, subsecretário para Democracia e Direitos Humanos, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do Departamento de Estado. Ambos integram a administração do então presidente norte-americano Donald Trump e pretendiam se reunir com autoridades brasileiras para discutir a segurança das urnas eletrônicas.
Motivo alegado pelo Planalto
O Palácio do Planalto avaliou que a visita representaria ingerência externa em assuntos internos e poderia gerar instabilidade às vésperas da eleição presidencial marcada para outubro de 2026. Segundo o governo, a soberania brasileira deve ser preservada diante de questionamentos estrangeiros ao processo eleitoral.
Reação de Washington
Em resposta, a Casa Branca manteve o decreto de “emergência nacional” sobre o Brasil, editado em 2025 por Trump. Embora a Suprema Corte americana tenha derrubado sobretaxas de 50% impostas a produtos brasileiros, o estado de emergência segue em vigor e permite que novas sanções sejam adotadas a qualquer momento.
Lei Magnitsky em pauta
A crise também reacendeu o debate sobre a Lei Magnitsky, instrumento que autoriza os EUA a congelar bens e restringir a entrada de estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. Autoridades brasileiras já foram alvo dessas medidas, que podem ser ampliadas.
Impacto econômico
A tensão diplomática amplia a incerteza no comércio bilateral. Paralelamente, o governo americano ameaça sobretaxar em até 100% países que importam petróleo ou combustíveis da Rússia, caso do Brasil. O diesel russo é considerado fundamental para o mercado brasileiro, e eventuais tarifas podem pressionar custos de transporte e o preço final ao consumidor.
Com informações de Gazeta do Povo