São Paulo — 13/07/2026 – O Brasil não aparece entre os destinos latino-americanos mais competitivos para famílias de alta renda, segundo o Henley Private Wealth Migration Report 2026, divulgado pela consultoria Henley & Partners. No levantamento, apenas Uruguai, Panamá e Costa Rica alcançaram pontuações suficientes para figurar na lista dos países que mais atraem patrimônios internacionais.
Pontuação latino-americana
Entre os 38 indicadores avaliados, o Uruguai registrou 71,8 pontos, o Panamá 71,5 e a Costa Rica 70,2. O Brasil somou 64,2 e foi enquadrado no grupo de nações com “desafios persistentes” para competir pela riqueza global.
O que pesa contra o Brasil
Especialistas ouvidos pela Henley & Partners apontam carga regulatória elevada, instabilidade institucional e sistema tributário complexo como barreiras. Medidas recentes — como o Imposto Mínimo sobre rendas acima de R$ 5 mil, planos para tributar dividendos e discussões sobre grandes fortunas — reforçam a incerteza, explica Leonardo Vieira, sócio do escritório Vieira e Serra Advogados.
Flávio Molinari, tributarista do Collavini Borges Molinari Advogados, acrescenta que a reforma tributária em fase de implementação, o aumento da dívida pública e a polarização política também reduzem a atratividade do país.
Por que Uruguai, Panamá e Costa Rica lideram
Uruguai – Combinação de estabilidade política, respeito ao Estado de Direito e regime tributário territorial que isenta, por período determinado, rendimentos obtidos no exterior por novos residentes fiscais.
Panamá – Economia dolarizada, ausência de controles cambiais e facilidade para residência permanente atraem investidores. A infraestrutura financeira construída ao longo de décadas consolida o país como hub para family offices.
Costa Rica – Estabilidade democrática, baixo nível de tensões geopolíticas, programas de residência para investidores e foco em qualidade de vida seduzem principalmente famílias norte-americanas e europeias.
O relatório da Henley & Partners utiliza dados de Banco Mundial, FMI, OCDE e informações próprias para classificar 12 dimensões, entre elas competitividade tributária, mobilidade de capitais e qualidade de vida. A edição de 2026 marca a primeira vez em que capacidade estrutural para atrair e reter patrimônio passou a ser medida com esse conjunto ampliado de indicadores.
Com informações de Gazeta do Povo