Kampala, Uganda – O pastor Bernard Mulongo, de 25 anos, da Igreja Nova Restauração de Cristo, foi morto na noite de 18 de julho, poucas horas depois de participar de um debate público entre cristãos e muçulmanos na cidade de Mbale, região leste de Uganda.
Mulongo, que deixa esposa e dois filhos de 4 e 7 anos, havia viajado do distrito de Butebo para o evento de diálogo inter-religioso. Durante o debate, duas mulheres muçulmanas declararam publicamente conversão ao cristianismo, fato que, segundo testemunhas, irritou o imã local Hassan Musa.
O pastor David Omala, presente na discussão, relatou que Musa confrontou Mulongo logo após o término, afirmando que ele “merecia a morte” por suposta blasfêmia e por “desviar” fiéis usando citações do Alcorão. Ainda conforme Omala, o imã teria incentivado a violência contra cristãos diante da plateia.
Emboscada na estrada
Mais tarde, Mulongo participou de um programa em uma rádio de Mbale. Ao deixar a emissora, subiu na garupa de uma motocicleta conduzida pelo amigo Robert Mukisa rumo ao local onde estavam hospedados. Aproximadamente 14 quilômetros depois, na vila de Jami, o veículo foi interceptado por vários homens também em motocicletas.
“Um deles gritou que estávamos enganando o povo e profanando o livro sagrado”, contou Mukisa ao Morning Star News. O acompanhante disse ter pulado da moto e corrido por cerca de 2 quilômetros antes de acionar a polícia e avisar líderes da igreja.
Corpo encontrado
Omala e o pai da vítima, Dawuson Mwangu, chegaram ao local pouco depois da polícia. O corpo do pastor jazia em uma poça de sangue, com ferimentos na cabeça, na mão direita, no peito e nas costas. Ele foi levado ao necrotério da cidade de Mbale para autópsia e, posteriormente, sepultado na vila de Petete, distrito de Butebo.
Suspeito foragido
Hassan Musa é apontado como principal suspeito do assassinato e, até o momento, permanece foragido. A polícia abriu investigação, mas ainda não efetuou prisões. Familiares de Mulongo cobram apuração completa e punição aos responsáveis.
O caso soma-se a outros episódios de violência contra cristãos em Uganda. Embora os muçulmanos representem cerca de 12% da população, as autoridades do país asseguram, na Constituição, liberdade religiosa e o direito de conversão.
Com informações de Folha Gospel