Curitiba, 27 de julho de 2026 – Maior compradora de carne de frango do Brasil há anos, a China mudou de posição e passou a concorrer diretamente com os frigoríficos brasileiros em destinos considerados mais lucrativos, sobretudo no Oriente Médio.
Escalada chinesa nas exportações
Em menos de dez anos, a participação chinesa no comércio mundial de frango deverá atingir 9,5% em 2026. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que as vendas externas do país cresceram 41% em 2025, chegando a quase 1,1 milhão de toneladas, e devem alcançar 1,4 milhão de toneladas em 2026. Com isso, a China tende a ocupar o terceiro lugar entre os maiores exportadores, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.
O avanço é sustentado pelo aumento da produção doméstica. Segundo o USDA, a China já é o segundo maior produtor mundial, com previsão de 17,3 milhões de toneladas em 2026 (alta de 7% em 2025 e 5% em 2026). Estimativas de mercado apontam que o crescimento pode chegar a dois dígitos nos dois anos.
Pressão sobre preços e corte estratégico
Em nota divulgada em 17 de julho, o BTG Pactual alertou que a maior oferta chinesa deve elevar a concorrência e pressionar as cotações globais. O banco ressalta a escassez de informações sobre custos unitários na China, mas lembra o histórico do país em reduzir despesas e ganhar escala rapidamente.
Além do volume, a composição das vendas preocupa os exportadores brasileiros. Enquanto segue importando pés e outros cortes valorizados pelos consumidores locais, a China tem aumentado as remessas de peito de frango – parte com menor demanda interna, mas de alto preço no mercado externo. O peito respondeu por 22% do total exportado pelo Brasil nos últimos 12 meses e figura entre os produtos de maior valor.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são dois dos principais compradores desse corte brasileiro e, por estarem mais próximos da China, podem passar a receber volumes maiores do concorrente asiático. Para analistas do BTG, a continuidade da expansão chinesa representa risco estrutural para a formação de preços do produto brasileiro.
Desempenho brasileiro segue firme
No curto prazo, o avanço chinês ainda não afetou os resultados do Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações nacionais – somando produtos in natura e processados – atingiram 482,8 mil toneladas em junho, 40,6% acima das 343,4 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.
A China permaneceu como principal destino em junho, com 50,1 mil toneladas, seguida por Japão (46,6 mil), Emirados Árabes Unidos (46,2 mil), Arábia Saudita (33,1 mil) e União Europeia (28 mil).
Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilado pelo Itaú BBA confirma o bom momento. No primeiro semestre de 2026, o Brasil enviou 2,5 milhões de toneladas de carne de frango ao exterior, alta de 14% ante igual período de 2025. O preço médio dos embarques ficou em US$ 1.961,2 por tonelada, avanço de 4%. Somente em junho, o volume exportado cresceu 45% na comparação anual.
Apesar dos números positivos, agentes do setor acompanham de perto o ritmo de crescimento chinês e seus possíveis reflexos sobre os mercados tradicionais do frango brasileiro.
Com informações de Gazeta do Povo