Três semanas após a sequência de fortes terremotos que sacudiu a Venezuela, cresce o alerta de organismos internacionais e governos regionais para uma possível nova crise migratória no continente. O desastre atinge um país que já perdeu cerca de um terço de sua população nos últimos anos, em decorrência do colapso econômico e da repressão política sob o regime chavista.
Situação dos deslocados
No momento, o movimento mais intenso é de deslocamento interno. Famílias que perderam suas casas ou aguardam vistorias de segurança buscam abrigo na residência de parentes ou em espaços públicos improvisados. O estado de La Guaira foi o mais castigado pelos tremores, o que tem empurrado moradores para outras regiões do país e para áreas de fronteira.
Planos de retorno em compasso de espera
A tragédia interrompe os planos de muitos imigrantes que cogitavam voltar à Venezuela diante de eventuais melhorias políticas ou econômicas. A destruição de infraestrutura básica e a escassez de serviços essenciais tornam a ideia de retorno ainda mais distante, pois o país precisará lidar agora também com a reconstrução física.
Reflexos no Brasil
Até o momento, órgãos como o Acnur e a Operação Acolhida não registraram aumento súbito de entradas pela fronteira brasileira. Ainda assim, já foram identificadas as primeiras famílias que deixaram o território venezuelano especificamente por causa dos impactos dos terremotos, contando com redes de apoio de amigos e parentes que vivem no Brasil.
Influência do regime na gravidade dos danos
Especialistas afirmam que o efeito destrutivo dos abalos foi ampliado por décadas de fiscalização precária em construções e má gestão pública. Em países com instituições sólidas, tremores de magnitude semelhante costumam provocar menos estragos. Na Venezuela, a devastação socioeconômica prévia dificulta uma resposta eficiente ao desastre natural.
Reação internacional
Apesar da ascensão de governos de direita com discursos mais duros contra a imigração ilegal, vizinhos sul-americanos e os Estados Unidos sinalizam articulações humanitárias. Washington colabora nas ações emergenciais e monitora os passos da atual administração venezuelana, enquanto países da região discutem coalizões de ajuda para a reconstrução.
As discussões avançam à medida que se torna evidente o potencial de um novo fluxo de venezuelanos em direção a países limítrofes e, posteriormente, à América do Norte.
Com informações de Gazeta do Povo