O governo brasileiro estuda como reagir ao aumento de 25% nas tarifas de importação anunciado pelos Estados Unidos nesta semana. A medida norte-americana atinge produtos brasileiros que totalizam cerca de US$ 11 bilhões, sobretudo dos setores de máquinas, calçados e móveis.
Apesar da pressão de parte da indústria nacional por uma resposta na mesma moeda, economistas ouvidos pelo Executivo recomendam cautela. Para o professor do Insper Alexandre Chaia, adotar tarifas de retaliação encareceria produtos vindos dos EUA, onerando empresas e consumidores brasileiros sem trazer ganhos significativos.
Busca por novos mercados
Em vez de sobretaxar bens americanos, a orientação é diversificar destinos de exportação. O Palácio do Planalto avalia intensificar negociações comerciais com países da Europa e com o Japão, a fim de abrir espaço para a produção que pode perder mercado nos Estados Unidos.
Apoio financeiro via BNDES
Outra frente em estudo é o uso do Plano Brasil Soberano. O programa prevê linhas de crédito do BNDES para socorrer empresas afetadas pela nova tarifa, possibilitando que mantenham suas atividades enquanto buscam compradores alternativos.
Efeito limitado para o consumidor brasileiro
Segundo analistas, o impacto imediato no bolso do brasileiro tende a ser pequeno ou até positivo. Caso parte da produção destinada aos EUA permaneça no mercado interno, o aumento da oferta pode pressionar os preços para baixo.
Conta fica com o consumidor americano
Nos Estados Unidos, porém, o reflexo deve ser inverso. Sem substitutos viáveis para determinados itens fornecidos pelo Brasil, os importadores continuarão comprando, repassando o custo adicional da tarifa ao consumidor final.
O governo brasileiro ainda não definiu prazo para anunciar oficialmente suas decisões, mas a tendência, segundo fontes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, é evitar medidas que elevem o custo de vida no país.
Com informações de Gazeta do Povo