Brasília, 17 de julho de 2026. O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, anunciou nesta sexta-feira (17) que o governo federal vai investir cerca de R$ 130 milhões para ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da tarifa extra de 25% imposta pelos Estados Unidos e acelerar a diversificação das exportações.
A sobretaxa, em vigor desde junho, pode reduzir em até US$ 7,2 bilhões (aproximadamente R$ 37 bilhões) as vendas brasileiras ao mercado norte-americano. Para mitigar o impacto, a estratégia oficial é aumentar o número de mercadorias contempladas pelas exceções já concedidas e fortalecer os segmentos que permaneceram livres do aumento tarifário.
Setores já isentos ganharão reforço
Entre os 85 produtos atualmente livres da tarifa adicional estão carne bovina, café, suco de laranja, minérios, petróleo, medicamentos e aeronaves civis. “Vamos seguir firmes apoiando empresas e entidades brasileiras junto a parceiros norte-americanos para ampliar as isenções”, declarou Müller em entrevista coletiva.
Abertura de novos mercados
Além da negociação com Washington, o governo pretende reduzir a dependência do mercado dos EUA com a busca de novos destinos. A União Europeia aparece como prioridade, impulsionada pelo acordo de livre comércio Mercosul-UE em vigência provisória desde maio. Países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), da Ásia Central e a China também estão no radar da ApexBrasil.
Impacto regional
São Paulo e Santa Catarina concentram 52% das exportações brasileiras afetadas pela tarifa de 25%. Do montante estimado em US$ 7,2 bilhões, cerca de US$ 3 bilhões correspondem a produtos paulistas, enquanto 68% das vendas catarinenses aos EUA serão atingidas.
Adaptação das empresas
Segundo Müller, a diversificação já mostra resultados: de junho de 2025 a maio de 2026, 72% das 2,4 mil empresas atendidas pela ApexBrasil passaram a vender para pelo menos um novo mercado externo.
Os R$ 130 milhões anunciados serão aplicados em ações de promoção comercial, missões empresariais e apoio técnico para adequação de produtos a exigências internacionais, com o objetivo de ampliar a presença brasileira em mercados estratégicos.
O governo também acompanha a possibilidade de novas sobretaxas, como a de 12,5% que pode ser anunciada pelos Estados Unidos na próxima semana, sinalizando que continuará a negociar exceções e a apoiar setores mais afetados.
Com informações de Gazeta do Povo